terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Capítulo 10 - " Agola eu tenho um imãozinho e um papai!"

Domingo, Novembro de 2014

 Depois de ter desligado a ligação com o Júnior, ou melhor de ele ter desligado na minha cara, ainda fiquei alguns minutos sentada na minha cama tentando assimilar as coisas que estão por vir e o que eu vou dizer para ele. Como? De que jeito? Oi, eu e você fizemos uma filha à anos atrás e eu resolvi esconder esse pequeno fato de você. Não! Eu realmente terei que descobrir uma maneira de contar tudo para ele sem estragar mais as coisas. Se é que ainda tem como estragar mais né... 
 Realizei meu ritual matinal de sempre, tomei banho e vesti a primeira roupa que achei pela frente sem pensar muito no que estava fazendo. Peguei meu celular e minha bolsa, saí do meu quarto, entrei no da Maria e a mesma ainda estava dormindo. 
Júlia: É, minha princesa... - falei sussurrando e me abaixando perto de sua cama. - Acho que à parti de agora nossas vidas irá mudar drasticamente. - fiz carinho em sua cabeça e um esforço para controlar minhas lágrimas. - Espero que essas mudanças não seja o meu pior pesadelo se realizando. - beijei sua testa e saí do seu quarto antes de acabar acordanda-lá. Desci as escadas chamando um táxi para me levar ao parque.
Marcela: Bom dia, meu amor! - disse quando meu viu entrando na sala. Meu pai e ela estavam sentados no sofá com uma xícara de café nas mãos. 
Júlia: Oi, acho que não vai ser tão bom dia assim. - suspirei e sentei entre eles quando abriram espaço no sofá. 
Dennis: Por que?
Júlia: O Júnior ligou! - respondi e agora foi a vez deles suspirarem. 
Marcela: Eai, o que ele disse?
Júlia: Ele descobriu, ou pelo menos desconfia e quer uma confirmação.
Marcela: Mas como ele descobriu? - perguntou um pouco surpresa.
Dennis: Isso não importa agora, conversamos ontem e sabíamos que iria acontecer mais cedo ou mais tarde.
Júlia: Ele quer que eu o respondo frente à frente, então marquei de nos encontrar... - olhei a hora no celular. - Daqui a meia hora no mesmo parque de ontem. Vou aproveitar pra pegar meu carro.
Marcela: Filha, você não precisa fazer isso agora.
Júlia: Preciso, mãe! O Júnior merece isso. - tentei sorri por cima da tensão. 
Dennis: Quer que eu vou com você? - me olhou.
Júlia: Precisa não, paizinho! Chamei um táxi para me levar até lá. Nesse primeiro momento quero explicar tudo a ele sozinha. - levantei do sofá. - Ou pelo menos tentar.
Marcela: Não vai comer nada antes? - levantou também. 
Júlia: Tô sem fome! Além disso, não acho que conseguiria colocar nada pra dentro agora. Tô indo, deixo vocês saber o quanto antes o resultado final dessa conversa. - beijei o rosto dos dois e eles fizeram o mesmo comigo. - Fica de olho na Malu por mim.
Marcela: Pode deixar, minha filha. Espero que corra tudo bem lá.
Júlia: Eu também! - suspirei.
Dennis: Vai contar a história toda pra ele? Acha que ele irá acreditar?
Júlia: Na verdade eu não sei pai, mas preciso pelo menos tentar para evitar o pior.
Dennis: Tudo bem, qualquer coisa liga pra gente e por precaução vou começar a agilizar as coisas por aqui. Não sabemos como será no final disso tudo. - assenti concordando. Eles me abraçaram ao mesmo tempo e logo depois saí de casa no mesmo momento que o táxi chegou. No caminho até lá fiquei pensando sobre a última coisa que o meu pai disse, imaginando que se aquele homem não tivesse feito o que fez nada disso estaria acontecendo. 

FlashBack On

 Faz duas semanas que descobri que estava grávida. Duas semanas que vivo uma mistura de medo e felicidade. Duas semanas que contei para a minha mãe, pai e irmã que estava chegando mais um integrante na família. Duas semanas que as coisas estavam tensa em casa por causa disso. Duas semanas que o meu pai estava enchendo minha cabeça para ligar logo para o pai do meu bebê e contar da gravidez. E eu estava evitando porque sábia que existia grandes chances dele não gostar e rejeitar nós dois, eu e esse bebê, que só iríamos dificultar sua carreira no meio do esporte. Eu sábia disso, ele me disse. "...Pensar em ter um filho agora já bate um desespero... Só iria atrapalhar minha carreira... Se Deus quiser não irá acontecer tão cedo." Por isso eu estava evitando ao máximo esse momento, por puro medo. Mas infelizmente não dá mais pra guardar isso só comigo, chegou a hora de contar e saber lidar com o que vier dele. Queria poder fazer isso sozinha, trancada em meu quarto, porém meu pai e a minha mãe queriam estar presente. Até a minha irmã queria, mas teve que ir para a faculdade. Graças a Deus! 
Dennis: Põem no viva-voz. - pediu sentando ao meu lado na cadeira do seu escritório. 
Júlia: Pai... 
Dennis: Coloca, Júlia! - disse sério e eu coloquei por que não queria arrumar mais problema para mim. 
Marcela: Ele não vai atender essa coisa?! - disse andando de um lado para o outro pela sala e ouvindo o celular chamar várias vezes sem resposta. Se ela está nervosa imagine eu. Minha perna não conseguia parar quieta e meu corpo suava frio. 
Xxx: Alô? - atenderam e não era a voz do Júnior. 
Júlia: A-alô? - gaguejei um pouco. - O Neymar Jr. está? 
Xxx: Ele acabou de sair e esqueceu o telefone em casa. Quer deixar algum recado? Posso passar pra ele quando chegar. - respondeu e eu olhei para o meu pai sem saber o que fazer.
Dennis: Desculpe perguntar, mas o senhor é o que dele? - pegou o celular da minha mão e eu até tentei pegar de volta, mas ele segurou meu braço. 
Xxx: Sou o pai dele. Neymar.
Dennis: Bom, senhor Neymar. Precisava conversar com o seu filho, mas vai ter que ser com o senhor mesmo. 
Júlia: Pai, por favor não... - ele me olhou sério e eu parei de falar. Droga!
Dennis: Então, Neymar. O senhor tem tempo para conversar?
Neymar pai: Claro, pode falar.
Dennis: Nesse final de ano passado seu filho passou o ano novo em Ibiza certo? - o pai do Júnior confirmou. Não era pra ser assim, era pra eu contar para o Júnior. Olhei para a minha mãe em busca de ajuda para empedir meu pai de contar, mas ela apenas me ignorou. - Então, ele e minha filha se conheceram durante esses dias e os dois se envolveram. 
Neymar pai: Entendo, mas ainda não sei onde o senhor quer chegar. - nesse momento eu só queria me enfiar em um buraco e nunca mais sair. 
Dennis: Calma, vou te dizer agora. Acontece que há duas semanas atrás minha filha descobriu que estava grávida e a criança é do seu filho. - ouve um silêncio mortal quando ele terminou de falar e segundos depois o Naymar riu. Sim, ele riu!
Neymar pai: Desculpa... - fez uma pausa para rir mais um pouco e eu olhei para os meus pais incrédula e percebi que os dois estavam da mesma forma que eu. - Mas como o senhor tem certeza que essa criança é do meu filho? Afinal, eles estavam em várias festas e em uma ilha que é bastante conhecido pelos jovens por causa da curtição. Sua filha pode ter muito bem se envolvido com outro e agora quer jogar esse fardo no meu filho. 
Júlia: O que... - ele chamou meu bebê de fardo. Fardo! Ainda acha que eu estou mentindo sobre uma coisa tão seria como essa. Como o Júnior, um ser tão lindo por dentro e por fora que eu conheci, tem um pai tão desprezível quanto esse?! 
Dennis: O senhor está dizendo que a minha filha está mentindo?! - o seu sembrante surpreso sumiu e deu lugar a um repleto de ódio e indignação. - Fique sabendo que eu confio na minha filha. E aliás, o que ela ganharia mentindo sobre isso?
Neymar pai: Colocar meu filho na Justiça em busca de uma pensão alimentícia não é um bom prêmio? - e as coisas só pioram. Eu realmente estou em choque! Tão perplexa que nem senti as lágrimas caindo pelo meu rosto e muito menos percebi a minha mãe chegando perto de mim e me abraçando
Dennis: Você só pode está de brincadeira comigo. - riu com um tom irônico. - Graças a Deus não precisamos de dinheiro de ninguém, meu senhor. Eu e a minha mulher batalhamos para não deixar faltar nada para nossas filhas. Esse seu pensamento só prova o carate do senhor e eu espero que seu filho não seja como você por que não quero acreditar que a minha filha se envolveu com um tipo desse. 
Neymar pai: Eu que não quero acreditar que meu filho se envolveu com sua filha, uma interesseira. O Júnior só tem 19 anos, está no começo de uma brilhante carreira e só o que faltava agora era aparecer uma qualquer pra tentar arruinar os sonhos dele. - não aguentei ficar sentada depois disso e levantei da cadeira ao lado do meu pai enquanto meu choro se intensificava depois de ter ouvido o que esse homem disse. "... só iria atrapalhar minha carreira." Eu temia isso!
Marcela: Esse homem só pode ser louco! Calma, minha filha. - veio pra perto de mim e eu a abracei forte chorando em seu ombro. 
Dennis: Você acha que eu queria que minha filha, que também só tem 19 anos, passa-se por isso agora? Infelizmente não temos como escolher isso, senhor. - continuou a falar com o pai do Júnior. - Os dois foram irresponsáveis por deixar isso acontecer. Seu filho tem tanta culpa quanto a minha filha e os dois precisam arca com as consequências juntos. 
Neymar pai: Sinto muito, mas isso não irá acontecer. Não tenho certeza que essa criança é mesmo do meu filho e pode muito bem não ser. Então não vou trazer uma dor de cabeça desnecessária para a minha família. 
Dennis: Felizmente isso não é você que decide, meu senhor.
Neymar pai: Ah, mas será! - riu irônico. - Vou fazer o possível e o impossível para que nada atrapalhe os sonhos do meu filho e isso incluí essa criança e a sua filha. Se vocês insistirem em incluir meu filho nessa história, vou fazer da vida de vocês um inferno. Se a paternidade for mesmo do meu filho, o que eu duvido muito, vou virar ele contra a sua filha e fazer com que busque na justiça a guarda definitiva dessa criança. Nem que eu forge provas para fazer isso acontecer, mas irei. Entenderam?
Marcela: Meu Deus, o que esse homem tem?! - sussurrou incrédula com os olhos marejados. 
Júlia: Pai... - chamei entre soluços do choro. - Eu não quero que o meu bebê passe por isso.
Dennis: Calma, querida! Não vou deixar isso acontecer.
Neymar pai: Pelo o que estou ouvindo, vocês não querem isso tanto quanto eu. Então para o bem de todos acho que é melhor vocês esquecerem que ligaram e eu irei fazer o mesmo.
Dennis: Só me responde como você pode ser tão podre, Neymar?
Neymar pai: Só estou fazendo o quê é melhor para o meu filho. Enfim, vocês decidem o que vão fazer e depois lidam com a consequência. Passar bem! - encerrou a ligação. Meu pai ficou por um tempo em silêncio e logo depois ouvi um barulho de algo quebrando na parede. Quando levantei o rosto do ombro da minha mãe, vi que era o abajur que ele tinha jogado. 
Júlia: E-ele fará o que disse pai, eu sei. - solucei. - C-como que o Júnior tem um pai desse?
Dennis: Me diz se você tem certeza que esse Júnior agiria diferente. Vamos tentar entrar em contato direto com ele. - chegou mais perto e abraçou minha mãe junto comigo. 
Júlia: E-eu não tenho certeza, mas eu acho que ele não agiria assim. - funguei. - M-mas eu não quero tentar. Não sei do que esse homem é capaz de fazer. Não quero que meu filho passe por nada do que ele falou.
Marcela: Tem certeza, Júlia? Não é uma decisão precipitada?
Júlia: Você ouviu ele, mãe! Me desculpa, mas eu não quero nem ter chance dele fazer isso comigo e meu bebê.
Dennis: Seja qual for sua decisão, vamos te apoiar. Se decidir não tentar, mesmo eu não tendo certeza de que essa é a melhor decisão, vamos te ajudar a criar essa criança e não deixar faltar nada assim como não faltou para você e sua irmã. - beijou minha testa.
Júlia: Obrigada! - sussurrei fechando os olhos. - essa é minha decisão final, mesmo que eu vá me arrepender algum dia.

FlashBack OFF

E essa decisão me levou até onde estou hoje. Se me arrependo? Ao longe desses anos todos ouve várias vezes que isso aconteceu, porém era só lembrar das coisas que esse homem proferiu que esse sentimento ia embora. Não queria e ainda não quero vivenciar aquelas coisas que ele prometeu fazer. Isso é exatamente o que aconteceu no meu caminho para o encontro do Júnior enquanto lembrava desse momento horrível do passado. Irei tentar contar isso para o Júnior. Chegou a hora dele saber o tipo de pessoa que ele possui como pai. Se ele irá acreditar?! Não sei! Mas espero, sinceramente, que sim ou a minha vida se tornará um inferno. Assim como seu pai jurou que faria ser. Deixei escapar um enorme suspiro quando o táxi finalmente chegou no destino. Paguei a corrida, saí do carro junto com a minha bolsa e caminhei diretamente para o estacionamento onde estava o meu carro. Não fiquei surpreendida quanto avistei o Júnior parado a alguns passos de lá. Tão lindo quanto a três anos atrás, com as mãos no bolso da calça e olhando ao redor do parque. Apesar de ainda não ter chegado perto, percebi que ele estava tão nervoso quanto eu. 
Júlia: Olá! - murmurei quando parei do seu lado e ele me olhou e não disse nada. Apenas ficou me observando fazendo minha tensão se intensificar sob o seu olhar, que não mudou nada nesse tempo todo que passou.
Júnior: Ela é minha filha? - perguntou sussurrando. Desviei meu olhar do seu me preparando para o que estava por vir. A hora finalmente chegou. Chega de mentiras e segredos. 
Júlia: É, você é o pai dela! - murmurei. O escutei soltar um longo suspiro.
Júnior: C-como... Por que v-você não me contou antes? - disse passando as mãos pela cabeça e começando a andar de um lado para o outro. 
Júlia: Sinto muito, Júnior. Eu tive motivos para fazer...
Júnior: Sente muito?! - me interrompeu perguntando em um tom duro e me olhando incrédula. - Que motivos são esses que te impediram de me contar uma coisa dessa? Que te impediram de me deixar fazer parte da vida da minha filha por todo esse tempo? Que me fizeram perder o nascimento dela, o primeiro passo, a primeira risada, a primeira palavra...
Júlia: E-eu... - fiz uma pausa para tentar conter minhas primeiras lágrimas que surgiram depois de ouvir suas palavras. - M-me deixa explicar por...
Júnior: Eu não vejo algo que tu possa me dizer que irá justificar isso tudo que você fez. Caralho, Júlia! - suspirou enquanto passava as mãos pelo rosto. - Foi por isso que você desapareceu né?! - me olhou. - Para esconder minha filha de mim.
Júlia: N-não foi só por isso! - afirmei desesperada para ele me deixar explicar. - S-seu pai..
Júnior: O que meu pai tem haver com isso? - me interrompeu, com uma mistura de confusão e incrédulidade no rosto, mais uma vez.
Júlia: Me deixa explicar! - pedi me exaltando um pouco e ele ficou em silêncio me olhando. Suspirei! - E-eu te liguei quando soube da gravidez, quer dizer, duas semanas depois que descobrir... M-mas não foi você que atendeu e sim seu pai que disse que tu tinha saído e deixado seu celular em casa. - fiz uma pausa pra respirar. - Meu pai resolver contar a ele sobre a gravidez...
Júnior: O-oque? Meu pai não sabe nada disso, ele não me contou nada. 
Júlia: Ele sábia e sabe, Júnior. Além disso, foi ele que me impediu de te contar. Disse que não acreditava que esse filho era seu e que não iria deixar eu e a minha filha atrapalhar sua carreira. Falou para eu não te contar, por que se eu fizesse ele iria tirar meu bebê de mim. - parei de tentar conter minhas lágrimas e comecei a chorar. - Depois que ele jurou fazer isso, eu fiquei com medo de te contar.
Júnior: Você só pode está brincando comigo. - riu irônico. Meu coração apertou adivinhando o que estava por vir. - Tantas mentiras para tu jogar em cima de mim e você me dá logo essa? Usando o meu pai, um cara que tu nem conhece. - fechei os olhos depois de ouvi-lo. Ele não acreditou! 
Júlia: J-Júnior, eu juro que é verdade! E-ele...
Júnior: Para, Júlia! Apenas, para! - se exaltou. - Não ficarei aqui ouvindo você usar meu pai para justificar suas ações. - foi justamente nessa hora que eu soube que nada que eu dissesse mudaria sua cabeça. Seja qual for a relação entre ele e aquele homem, com certeza são muito próximos um do outro. Tão próximo que nem passa pela sua cabeça a mínima chance de seu pai ser um monstro sem coração e não esse cara bom que ele pensa. - Sabe o que é engraçado? - continuou. - Eu nunca imaginaria que foi esse o motivo de tu ter sumido. Muito menos que você seria capaz de fazer essa coisa tão errada e monstruosa. Esse tempo todo eu pensava que nosso tempo juntos significou algo para nós, mesmo depois de você ter sumido sem explicação, mas tô vendo agora que pra você não valeu nada. Você não pensou naquela criança? O que isso faria para ela? Negando a existência de uma relação comigo. Ela tem um irmão, cara. E nem imagina isso. Como você pode conviver com isso?! - o senti me olhando, porém não tive forças para levantar a cabeça e olha-lo também. É incalculável a dor que suas palavras causaram em mim. Já não me preocupava com o meu choro desesperado. 
Júlia: E-eu sinto muito, Júnior! Sinto por todos vocês... - funguei. 
Júnior: Q-qual é o nome dela? 
Júlia: Maria Luísa! 
Júnior: Maria Luísa... - repetiu sussurrando e quando o olhei seus olhos marejados me chamou a atenção. - Me conta um pouco sobre ela.
Júlia: E-ela nasceu dia 23 de Fevereiro de 2012...  - respirei fundo para me acalmar. - Ama assistir desenhos, principalmente se for a galinha pintadinha e Marcha e o Urso. - sorri um pouco e ele fez o mesmo. - Apesar da pouco idade, fala pelos cotovelos e é bastante curiosa. Quer saber de tudo! - ele riu. - Ama comer muitos doces e sua posição favorita para dormir é de bruços. 
Júnior: Igual a mim! - murmurou sorrindo e com os olhos brilhando. 
Júlia: Não é a única característica que ela puxou de você... - sussurrei pensativa. - Vocês se parecem muito um com o outro. - falei com o olhar fixo no seu.
Júnior: Q-quero ve-lá! - disse depois que passamos um tempo em silêncio nos encarando. 
Júlia: Agora? - perguntei começando a ficar em pânico. - P-por favor, me dê um tempo para conversar com ela. - pedi meio suplicando.
Júnior: Por mais que eu queira fazer você me levar pra onde ela está agora, sei que é melhor esperar um pouco. - suspirou. - Você precisa prepara-la e eu também preciso. Além disso, preciso voltar para Barcelona, tenho um jogo amanhã. 
Júlia: Tudo bem! - respondi aliviada. Não é só os dois que necessita de preparo. 
Júnior: Mas depois do jogo volto para cá bem rápido e nesse tempo tu conversa com ela. - assenti sem ter muito o que fazer. Esse tempo terá que servir. - Provavelmente irei chegar à noite aqui, então acho que fica melhor esperar até a terça de manhã. 
Júlia: Sim! Poderíamos nos encontrar para tomar café, porque assim fica mais fácil de eu explicar onde vamos para ela. 
Júnior: Tudo bem! Desde que você não me impeça de conhece-la ou não apareça, está bem para mim. 
Júlia: Não irei fazer isso! 
Júnior: Quando souber em qual restaurante fica melhor me avisa, agora você tem meu número. - eu assenti. - Nos vemos na terça então! - disse e começou a se afastar logo depois.
Júlia: Tchau! - murmurei baixinho observando ele se afastando. 
         
                                       (...)

Sarah: Até que a reação dele não foi tão ruim quanto poderia ser. - disse logo depois de terminar de beber o último gole do suco. Eu, ela, minha mãe e meu pai estávamos terminando de almoçar. Descobri quando cheguei em casa do encontro com o Júnior, que já faz mais de uma hora, que a Sarah estava aqui. Ela resolveu vir depois que minha mãe ligou para ela hoje de manhã contando tudo que aconteceu. A primeira coisa que fiz quando cheguei foi me agarrar bem apertado a Malu. Um bom tempo depois lhe dei o seu almoço e, por incrível que pareça, ela tirou um cochilo logo depois que terminou de comer. Então, aproveitei para contar com calma todos os detalhes da conversa que eu e o Júnior tivemos para meus pais e a Sarah enquanto comíamos. 
Dennis: Ainda está cedo! Vamos ver realmente quando ele digerir tudo. Só o fato de ele não ter acreditado na Júlia sobre o pai dele já nos deixa em alerta. - levantou da mesa para colocar o prato sujo na pia.
Júlia: É isso o que mais me preocupa! - afirmei cutucando a comida que ainda estava quase toda no prato. Não consigo fazer nada, sabendo que minha relação com a Maria pode ser prejudicada. 
Marcela: Nesse momento só nos resta pensar positivo. Não vamos sofrer por antecipação. - passou a mão no meu braço. - Come um pouco, minha filha. Você não comeu nada desde quanto isso tudo começou a acontecer...
Júlia: Não desce nada, mãe! A preocupação está me consumindo. - respondi levantando da mesa levando minhas coisas para a pia. - Tenho que pensar como vou explicar para a Maria que agora ela tem um pai, um irmão e uma nova família. - encostei no balcão passando as mãos pela cabeça que já começava a doer pensando nisso tudo.
Sarah: Vai dar tudo certo, maninha! - veio para perto de mim e me abraçou de lado. - Tô aqui para o que precisar. 
Júlia: Obrigada! - beijei sua bochecha. 
Dennis: Se quiser ajuda na hora de explicar para a Maluzinha... 
Júlia: Acho que preciso fazer isso sozinha, pai. Será mais fácil, se é que tem como isso ser fácil. 
Dennis: Você que decide, mas lembra que estamos aqui como sempre estivemos. - assenti e ele beijou minha testa.
Júlia: Vou subir e tentar dormir um pouco para descansar a mente. Assim vou ficar mais preparada e converso com a Malu quando nós duas acordar.
Marcela: Ótima idéia, querida. Precisa de alguma coisa?
Júlia: Sim, um remédio para dor de cabeça. - ela levantou para pegar e enquanto isso enchi um copo de água. Subi logo depois de tomar o remédio, deixando os três na cozinha, e entrei no meu quarto. A Malu estava do mesmo jeito que a coloquei na minha cama depois que ela dormiu. Fechei as janelas e cortina, aumentei um pouco mais o ar condicionado e entrei em baixo das cobertas junto com ela. Antes de finalmente conseguir pegar no sono fiquei imaginando as coisas que podem acontecer daqui pra frente. 

Neymar Jr. On

O caminho de volta para o hotel, depois do encontro com a Júlia, passou totalmente despercebido por mim. Ainda bem que o Big estava comigo, por que minha cabeça só conseguia pensar nas novas informações. Eu, Neymar Jr., sou pai de uma menina de quase três anos que nem sabe da minha existência. Tenho dois filhos nesse tempo todo e não fazia idéia. Davi Lucca e Maria Luísa... Isso é inacreditável! A primeira coisa que eu queria fazer depois de saber disso tudo era conversar com a minha mãe e ouvir seus conselhos maravilhosos, mas não queria fazer isso pelo celular. Então vou ter que esperar chegar em casa para contar para ela e meu pai que eles têm uma netinha nesse tempo todo. O Cabeça! Ele não vai acreditar que a Júlia teve a cara de pau de inventar uma desculpa para o que foi capaz de fazer usando o nome dele. Da onde que meu pai iria fazer essas coisas que ela disse?! Eu o conheço, sei que ele não faria isso.
 Quando cheguei no hotel, encontrei os moleques me esperando no corredor perto da porta do meu quarto. 
Junior: Já estão prontos para ir pra casa? - perguntei assim que os vi e eles pararam de conversar e me olharam.
Gil: Todo mundo já arrumou as tralhas, só falta você.
Júnior: Vou fazer isso agora. - abri a porta do meu quarto e entrei com eles no meu rastro. - E a Cah e o Davi?
Jota: A Carol tá terminando de arrumar as deles. - assenti. - Diz aí logo, Júninho. O que deu lá com a Júlia?
João: Ficamos morrendo de curiosidade aqui.
Júnior: Bando de fifis! - ri um pouco enquanto colocava algumas roupas que estavam em cima da cama na bolsa. - Ela confirmou!
Gil: O que? A menina é sua mesmo? - ficaram me olhando esperando a resposta.
Júnior: É, é minha filha!
João: Caralho! - exclamou surpreso. 
Jota: E você diz isso tão calmo assim?! - disse enquanto me observava a terminar de fechar a bolsa.
Júnior: Você quer que eu faço o que?
Jota: Não sei! Ficar com raiva, sair gritando ou até mesmo matar a Júlia que escondeu isso de você.
Júnior: Me controlei muito para não fazer essa última coisa. - suspirei sentando na cama e apoiando os cotovelo no joelho. - Na real, eu ainda não estou conseguindo enfiar tudo isso na minha cabeça.
Gil: Eu imagino! Que loucura é essa história. Ela não disse o por que de ter te escondido isso?
Júnior: Disse, mas eu não acreditei. Foi uma desculpa absurda o que ela inventou. - balancei a cabeça lembrando da história dela.
João: O que foi?
Júnior: Ela disse que não me contou por causa do cabeça. - eles ficaram com uma cara confusa. - Disse que me ligou quando descobriu a gravidez, mas foi o meu pai que atendeu. E quando o pai dela contou para o Cabeça, ele não acreditou que o filho era meu e falou que se ela insistisse nessa história iria fazer um inferno na vida dela. - resumi para eles.
Jota: Tá de brincadeira?! Coitado do Neymarzão, sendo acusado de fazer algo que nem imagina.
Gil: Não imaginava que a Júlia fosse assim, capaz de fazer tudo isso.
Júnior: Nem eu! - suspirei.
João: O que você vai fazer?
Júnior: Essa é uma pergunta que eu ainda não sei responder. - levantei da cama e coloquei a mochila nas costas. - Tenho que pensar sobre e conversar com o cabeça e a dona Nadine.
Jota: Eles vão pirar quando ouvir essa história toda.
Gil: Agora você tem dois filhos, moleque. Inacreditável! - sorriu.
Júnior: Pois é! - sorri um pouco também. - A Júlia disse que a menina puxou várias coisas de mim.
Jota: Espero que não seja a aparência, por que se for... - riu e os outros acompanharam.
Júnior: Vai se fuder! - mostrei o dedo do meio e ri também. - Isso eu já sei que ela puxou mais da mãe do que de mim. - respondi lembrando de quando eu a vi ontem.
Jota: Graças a Deus! - riu.
João: A Carol mandou mensagem avisando que já está lá em baixo com o Big e o Davi. - disse olhando no celular. 
Júnior: Vamos!
João: Já sabe quando vai conhecer a menina? - perguntou enquanto saíamos do quarto.
Júnior: Queria que fosse hoje, mas aí lembrei que tinha que voltar logo pra casa para o jogo de amanhã. - tranquei a porta. - Vou voltar pra cá depois do jogo e na terça de manhã a Júlia vai levar ela pra me encontrar em algum restaurante. - eles assentiram e pegamos o elevador. 
Gil: Caralho, tu chega em Madrid com um filho e está saindo com dois. - rimos. Um fato que apesar das circunstâncias me deixou mais feliz. Me sinto até mais completo! ♡ 
Davi: Pai! - correu até mim quando chegamos na garagem. 
Júnior: E aí, carinha! - o peguei no colo e beijei sua testa. - Vamos voltar pra casa?!
Davi: Vamo! - respondeu sorrindo.
Júnior: Entra no carro então, vou falar com a sua mãe rapidinho e depois a gente vai.
Jota: Vem, Davi! Vamos escolher um funk pesadão pra gente ouvir. - pegou ele de mim e foi em direção ao carro.
Davi: Eu quelo pagode, tio, fuk não quelo não.
Jota: Pô, parcerinho! Funk é bem mais legal. - todos nós gargalhamos e os dois entraram no carro junto com o Gil, João e Big.
Carol: E aí, Júninho? Como foi com a Júlia? - perguntou quando ficamos sozinhos e eu a olhei.
Júnior: A menina é mesmo minha filha. - sorri.
Carol: Uau! - disse que uma expressão incrédula. - Então a Maluzinha é irmã do Davi?
Júnior: Sim! Um pouco louco né?
Carol: Um pouco?! Muito você quer dizer né? - riu e eu acompanhei.
Júnior: Também acho! - suspirei. - Não dá para eu explicar tudo agora, até porque eu mesmo ainda estou tentando digerir tudo isso. Mas quero te pedir para não dizer nada para o Davi por enquanto. Não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas quando eu descobrir e as coisas estiverem mais calmas eu mesmo quero sentar com ele e explicar tudo.
Carol: Claro, Júninho! Isso é algo que você deve fazer, mas se precisar de ajuda estou aqui. - sorriu.
Júnior: Obrigado, Cah! - nos abraçamos. 
Carol: O Júnior, um cara que parece que eu conheci ontem, é pai de dois. Esse mundo tá uma loucura. - rimos.
Júnior: Se tá difícil para vocês acreditarem, imagina para mim?!
Davi: Mamãe e papai, vamo! - nos chamou com o rosto pressionado no vidro da janela.
Carol: Acho melhor a gente entrar logo. - disse rindo. Concordei, ela entrou na parte de trás do carro e eu no passageiro. 
Júnior: Você tem o insta da Júlia, Cah? - perguntei colocando o cinto e logo depois o Big deu partida. 
Carol: Tenho! O nome está SanchezJú. Ela acabou de postar uma foto com a Maluzinha. - entrei no insta, procurei o nome que ela disse e o insta da Júlia foi o primeiro que apareceu. Entrei nele e vi a foto que a Carol se referiu.




SanchezJú: Eu e você juntas até o fim. Te amo, meu mundo! ♡


Fiquei algum tempo observando essa foto e a legenda e percebi que é nítido a grande relação que há entre as duas. A Júlia pode ter errado nas atitudes que tomou, e muito, mas ninguém pode dizer que ela não tenha um sentimento grande pela sua filha. Nossa filha! Nossa! É difícil acreditar que essa princesa é fruto do nosso momento junto. 
Gil: Deixa a gente olhar pela primeira vez pra essa princesa, Júninho. - disse chamando minha atenção e eu passei meu celular para ele que deu para os outros também. 
Carol: Ela é linda! - sorriu.
Davi: Dexa eu vê tabem! - pediu puxando a mão do Jota que estava com o celular. - Essa é a Malu, eu vi ela ontem e a gente bincou né mãe? - olhou para a Carol que concordou. - Foi muto legal e a tia Xúlia e a mamãe falou que depois a gente vai bincar outra vezi. - eu e a Carol sorrimos. Ouvi- lo dizer que gostou da irmã, mesmo não tendo idéia disso, me enche de felicidade. 
Júnior: Que bom, filho!
Jota: Vendo essa foto só me confirma o que te disse lá no quarto. - riu me entregando o celular. 
João: Aí, Major! Tirando onda com a sua cara. - riu também. 
Júnior: Deixa ele comigo! - me ajeitei pra ficar mais confortável no banco do carro e comecei a stalkear a Júlia em busca de fotos da Malu, que vi que também tinha um insta, porém privado. Não, não fiquei só vendo fotos da minha filha. Apesar de tudo, a mãe dela ainda mexia comigo. Tomei cuidado para não seguir a Júlia e curtir algo porque o que eu menos precisava nesse momento era fãs malucas criando história. 

Neymar Jr. OFF

Já passava das 18:00 horas quando acordei do meu sono. Eu realmente estava precisando disso. A Malu ainda dormia ao meu lado. Levantei da cama, fui para o banheiro, fiz xixi, lavei as mãos e voltei para o quarto. Sentei na cama, liguei a TV do quarto e mexi no cabelo da dorminhoca.
Júlia: Vamos acordar, amor?! - ela resmungou, virou para o outro lado e continuou a dormi me ignorando totalmente. - Ei, bela adormecida! Já passou da hora de acordar. - ri batendo de leve no seu bumbum. 
Malu: Dexa só maisi um poquinho, mamãe. - pediu murmurando.
Júlia: Infelizmente não dá mais, princesa. Vamos tomar banho e depois a mamãe tem algo pra falar com você.
Malu: O que? Que vai leva eu no paquinho?! - me olhou e eu ri.
Júlia: Tu não cansa não? Já fomos ontem no parquinho.
Malu: Maisi eu quelia de novo.
Júlia: Outro dia a mamãe leva você, tudo bem? - ela assentiu. - Mas não é isso o que eu quero falar contigo. Vamos tomar banho primeiro.
Malu: Voxê vai toma junto comigo, pô favo?!
Júlia: Tomo, meu amor! - ri levantando da cama. - Fica aqui que eu vou no seu quarto pegar suas coisas e já estou voltando, tá?
Malu: Tá bom! - fui para o quarto dela e para o closet, escolhi um look quentinho porque o tempo não estava bom, peguei as outras coisas que iria usar e voltei para o meu quarto. Aproveitei logo que a atenção dela estava na televisão para pegar minhas coisas no meu closet também e levei tudo para o banheiro. 
Júlia: Vamos! - falei entrando no quarto, pegando ela no colo e voltando para o banheiro.
 Depois que terminamos o banho e eu ajeitei tudo, voltamos para a cama e ficamos quentinhas e confortável. - Vem aqui, filha! - pedi sentando ela no meu colo enquanto eu estava encostada na cabeceira da cama. Preciso ter essa conversa com ela logo para tirar esse peso da minha cabeça. Se eu falar que não estou tensa e com um pouco de medo, estaria mentindo miseravelmente. 
Malu: O que foi, mamãe? - perguntou mexendo no meu cabelo e derretendo meu coração.
Júlia: Então... - fiz uma pausa pra respirar. - Você lembra que perguntou ao seu avô porque não tinha um papai ontem? - perguntei sentindo uma dor no coração só por lembrar do momento. 
Malu: Xim! Eu peguntei poque meus amiguinho sempe tem um papai e eu não. - respondeu murmurando. - Aí o vovô disse que eu era expecial, mas eu num entendi dileito poque sou isso. Quem é expecial não tem um papai, só mamãe?! - me olhou esperando a resposta e eu sorri um pouco.
Júlia: Você é especial, princesa, mas você tem um papai. - afirmei analisando sua expressão. 
Malu: Tenho? - confirmei. - Poque eu nunca vi ele então? Meus amiguinhos vê o papai deles.
Júlia: É- é por que seu papai não sábia que você era filha dele. - tentei formular uma boa resposta. - E também porque ele morava muito, muito longe da gente.
Malu: Aaan... - exclamou um pouco pensativa. - A xente nunca vai se vê então?!
Júlia: Vão sim. - sorri um pouco. - Agora ele sabe que tem uma princesinha como filha... - ela sorriu. - E ele também veio morar pertinho da gente, lá onde a tia Sarah mora.
Malu: A xenti pode se vê agola então? - perguntou com um sorrisão no rosto.
Júlia: Agora não, meu amor, mas depois de amanhã vou levar você para encontrar com ele. Você quer?
Malu: Quelo! - exclamou empolgada e eu ri. - Dexa eu conta pro vovô, vovó e pa titia Salah?
Júlia: Espera um pouco, ainda não terminei. - respondi me preparando para dizer a parte em que eu tenho a impressão de que mais iria deixar ela confusa. 
Malu: Espelo. - disse continuando sentada no meu colo. 
Júlia: Sabe o papai do Davi que você também viu ontem? - ela assentiu. Que Deus me ajude nesse momento. - Então... É ele que é seu papai. - soltei de vez e ela soltou um som de surpresa colocando as mãozinhas na boca. Tem como não achar fofo?! 
Malu: Ele não é maisi papai do Davi?
Júlia: É, amor! É papai dele e também o seu. Isso quer dizer que vocês dois são irmãos, igual a titia Sarah e eu. - expliquei e ela ficou um tempo em silêncio com uma expressão pensativa.
Malu: Eu sou imãzinha do Davi e ele é meu imãozinho?! - eu concordei. - OBA! - exclamou entusiasmada sorrindo de orelha e orelha. Ufa! Sorri de alívio e também por ver sua felicidade. - Pode conta pala o vovô, a vovó e a titia agola?!
Júlia: Pode! - respondi sorrindo e ela não deixou passar um segundo para descer da cama e sair correndo do quarto. - Ei! Não corre na escada! - gritei e ela respondeu um "Ta bom" no mesmo tom. 
 Desliguei a tv, peguei meu celular e saí atrás dela sorrindo.
Sarah: Não é muito legal, princesa?!
Malu: Xim! Muto, muto. Agola eu tenho um imãozinho e um papai. - escutei elas conversando enquanto entrava na sala. Meu pai e minha mãe também estavam presentes com um sorriso no rosto olhando para a Malu saltitante contando a novidade. 
Marcela: Que alegria, meu Deus! - riu.
Sarah: Ter irmãos nem é tão bom assim... - disse rindo e eu coloquei dedo pra ela sem a Malu ver.
Malu: É xim, titia. Muto legal! A xenti vai bincar muto, vai ir no paque toda hola... - respondeu sorrindo e a gente riu.
Dennis: Com certeza essa é a coisa mais importante, né minha princesa?! - a Malu concordou e ele deitou ela no sofá fazendo cócegas em sua barriga. 
Marcela: Parece que correu tudo bem nessa conversa... - disse quando sentei entre ela e a Sarah no sofá e olhamos para o vovô babão brincando com a Malu. 
Júlia: Foi mais fácil do que eu pensei que seria. - suspirei. 
Marcela: Ela ainda é pequena, não se apega em detalhes e só reage ao que entende. Felizmente ela ainda não chegou na fase do questionamento.
Sarah: Verdade! Seria muito mais difícil se ela estivesse nessa fase. Mas e aí, tá mais aliviada?
Júlia: Demais! - sorri. - Pelo menos até chegar a terça.
Marcela: Uma luta de cada vez, minha filha.
Sarah: O futuro a Deus pertence!
Marcela: É isso aí! - sorrimos.
Sarah: Vou dormir com você hoje e deixa a princesinha junto também.
Júlia: Iiih, o que deu em você?
Sarah: Tô carente, saudades do Fe! - rimos.
Júlia: E por que ele não veio mesmo?
Sarah: Disse que tinha algo para resolver, mas eu sei que foi porque não queria atrapalhar, segundo ele, o momento da família. - revirou os olhos.
Marcela: Não sei quando esse menino vai entender que já faz parte dessa família também. - suspirou. 
Júlia: Verdade! Já tá quase casando com a Sarah e ainda não entendeu.
Sarah: Que casando menina, tá louca?! - exclamou e eu e a mãe rimos. - Vira essa boca pra lá, ainda tô muito nova pra isso.
Marcela: Nova, Sarah?! Quer casar com quantos anos, quase 40? - a Sarah riu. - Vocês praticamente já estão casados, moram juntos e tudo. Só falta passar pro papel.
Dennis: Na minha época não tinha isso! - disse tirando a atenção da Malu que agora veio para o meu colo. - Pra morar junto, antes tinha que casar.
Sarah: Não comecem de novo vocês dois. Além do mais, o Felipe ainda tem seu próprio apartamento.
Júlia: Não sei pra que se praticamente não usa. - falei abraçando a Malu apertado, o que fazia ela rir e pedir pra fazer de novo. 
Sarah: Quietinha você! - riu. - O que vai ter para o jantar?
Marcela: Nada! A Rosa tá de folga e eu estou com preguiça de fazer algo. - disse rindo.
Dennis: Assim não dá, a fome já tá batendo aqui. - alisou a barriga.
Marcela: Vai fazer então ué. - respondeu e nós rimos da cara que ele fez.
Júlia: Vamos pedi pizza?
Malu: Vamo! - exclamou batendo palma e sorrindo. 
Sarah: Depois dessa festa teremos que pedir mesmo. - rimos.
Dennis: Vou lá pedir. - foi para a cozinha pegar o cartão com o telefone da pizzaria. 
Marcela: E eu vou arrumar as coisas e trazer pra cá. - levantou do sofá. - Vai fazer o que pra dá a Malu depois, Júlia?
Júlia: Nada, só peito se ela ainda estiver com fome.
Marcela: Tá bom! Vem me ajudar pegar as coisas, Sarah. - disse indo para a cozinha. 
Sarah: Por que eu e não a Júlia? - perguntou e a mãe gritou um "Porque sim." Ri quando a Sarah colocou língua para mim enquanto seguia a Dona Marcela. Eu e a Malu ficamos brincando no sofá e aproveitei também para postar uma foto que tinha tirado de nós duas na cama mais cedo. Me senti mais leve! Eu realmente precisava desse momento de descontração depois dos últimos acontecimentos. 



  
By Vic: 

Voltei! Parece que o Neymar pai, nessa história, é um vilão não é mesmo?! 
Tô postando os capítulos um pouco menor do que eu costumava postar porque são muitos acontecimentos. Fica até difícil de até eu mesma digerir. Boa leitura e comentem o que estão achando dessa loucura! ♡

Ps: Ainda não sei quando irei postar o próximo, pois ainda não está pronto. Porém, tentarei postar antes do Natal ou um pouco depois.






3 comentários:

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