Segunda, Novembro de 2014
Hoje é o dia da reunião inicial com o Juiz em Barcelona. Eu estaria mentindo se eu disser que não estou nervosa, porém estou fazendo um grande esforço para não demonstrar. Não sei se está funcionando!
Dennis: Chegamos! - disse quando estacionou no estacionamento do Tribunal. - Tá tudo bem?
Júlia: Não sei! Fora o nervosismo e o frio na barriga, acho que estou ok. - respirei fundo.
Dennis: Isso é normal! Basta lembrar de manter a calma lá dentro e só responde o que o Juiz perguntar.
Júlia: Tudo bem! Mas o problema não é muito isso e sim se vou conseguir segurar a vontade de matar aquele monstro se ele vier com o Júnior.
Dennis: Tenho certeza que ele não veio porque essa é uma reunião só para quem faz parte do processo e seus advogados. Então, fica calma! - assenti. - Vamos entrar, não é bom chegar atrasados. - saímos do carro e ele foi me guiando para dentro do Tribunal, porque eu estava meio perdida. A Sarah e a minha mãe, por telefone, fizeram de tudo para me tranquilizar hoje mais cedo. Até o Felipe tentou me fazer rir antes de sair para o trabalho. Porém, nenhuma das duas coisas funcionou. E minha mãe ter colocado a Malu pra falar comigo só tornou mais ruim ainda minha situação. Isso me lembrou o que está em jogo nessa batalha. - Chegamos oito horas em ponto. - disse olhando no relógio de pulso quando chegamos em um corredor de frente para uma porta.
Júlia: Vai demorar muito para eles chamarem? - perguntei limpando as mãos suadas na calça jeans.
Dennis: Creio que... - foi interrompido pela porta da sala que abriu e um homem de terno apareceu.
Xxx: Neymar da Silva Santos Júnior e Júlia Medeiros Sanchez? - (Imaginem toda audiência em espanhol.)
Xxx: E-eu sou Júlia... - respondi nervosa e ele me olhou.
Dennis: Sou o advogado dela, Dennis Sanchez. - estendeu a mão pra ele e o mesmo apertou.
Xxx: Sejam bem vindos! Meu nome é Carlos e sou responsável pela assistencia da audiência de vocês. - assentimos. - O Neymar da Silva Santos Júnior ainda não chegou?
Xxx: Ele está aqui! - respondeu uma voz atrás da gente, olhamos e eu vi o Júnior acompanhado por dois homem. Eu não conhecia nenhum dos dois, mas um eu sei perfeitamente quem é. O cretino responsável por tudo que eu fui obrigada a fazer e pela minha situação agora.
Júnior: Eu sou o Neymar Jr. - disse chegando mais perto e me olhando rapidamente.
Xxx: Eduardo Peixoto, advogado dele. Desculpa o atraso, tivemos um imprevisto com o trânsito.
Carlos: Tudo bem, sejam bem vindos. Já que todos estão presentes, vamos entrar e se acomodar, o Juiz responsável pelo caso já está quase pronto. Desculpe, quem é o senhor? - perguntou para o cretino.
Neymar pai: Sou pai do Neymar Jr. - respondeu e me olhou logo depois encontrando meu olhar, que com toda certeza demonstrava ódio, sobre ele. Minha vontade de perder a tranquilidade e voar em cima dele é grande.
Carlos: Ah sim, mas o senhor, infelizmente, não vai poder entrar.
Neymar pai: Tudo bem, só vim acompanhar meu filho. - bateu no ombro do Júnior. - Vou te esperar aqui fora. - o Júnior assentiu e antes do cretino sair ainda teve a cara de pau de me lançar um sorriso irônico por trás do filho.
Dennis: Calma... - sussurrou para mim, colocando uma mão na minha cintura e demostrando que assim como eu também viu o deboche do filho da puta. Que raiva que eu estou sentindo da cara desse homem. Meu desprezo por ele é muito maior do que eu senti nesses três anos. Agora eu sou obrigada a olhar a cara desse ser.
Respirei fundo enquanto eu, meu pai e o Neymar Júnior junto com o advogado seguimos o homem de terno pra dentro da sala e ocupamos os lugares que ele indicou. Eu e o Júnior de lados opostos da mesa, de frente um para o outro e nossos advogados ao nosso lado.
Carlos: Fiquem a vontade, vou comunicar que já está tudo pronto aqui. - assentimos e ele saiu da sala por uma porta lateral diferente da qual tínhamos entrado.
Júlia: Quanto tempo vai durar essa audiência? - perguntei com um tom de voz baixo para o meu pai.
Dennis: Geralmente as reuniões iniciais como essa levam entorno de trinta minutos ou uma hora... - concordei e quando olhei para frente encontrei o Júnior me olhando.
Júnior: Por que não atendeu minhas ligações? - me perguntou e eu arqueei uma sobrancelha.
Júlia: Por que?! - ri com deboche. - Desculpa, mas não estou acostumada a atender alguém que quer tirar minha filha de mim.
Júnior: Eu tenho o direito de falar com ela! Afinal, ela é minha filha também né...
Júlia: Não sei, vamos ter certeza disso quando o teste de DNA for realizado. - respondi sem pensar e com a raiva me consumindo.
Dennis: Júlia! - exclamou com um tom de repreensão.
Júnior: O que você tá querendo dizer com isso? Quer continuar a me enganar? Sinto muito, mas dessa vez não vai dar. - disse demonstrando estar com tanta raiva quanto eu. O advogado dele disse algo em seu ouvido e ele assentiu e respirou fundo.
Dennis: Se controla, Júlia! Nossa situação já não está tão boa, então não vamos colocar tudo a perder. - sussurrou só para eu ouvir.
Júlia: Tudo bem, desculpa. - respondi fazendo um esforço para me controlar e ele assentiu. Ficamos os quatro em silêncio só nos encarando por alguns minutos até o moço de terno voltar junto com um senhor, que presumir ser o Juiz.
Xxx: Bom dia à todos!
Nós: Bom dia! - ele sentou na cadeira na ponta da mesa e o Carlos ficou em pé ao seu lado.
Xxx: Me chamo Paulo Pedrosa e fui designado para acompanhar o caso de vocês. Podemos começar? - perguntou nos olhando e nós concordamos. - Carlos, apresente o caso, por favor.
Carlos: Estão presentes nessa sala o Neymar da Silva Santos Júnior junto com o seu advogado, Eduardo Peixoto, e Júlia Medeiros Sanchez junto com o seu advogado, Dennis Sanchez. No dia 19 de Novembro o senhor Neymar Jr. entrou com o pedido de recorrência da guarda total da menor Maria Luíza Medeiros Sanchez que se encontra atualmente sob a tutela da mãe, a senhorita Júlia Medeiros Sanchez. Segundo ao que o senhor Neymar Jr. alegou no pedido, a menor em questão é filha dele junto com a senhorita Júlia Sanchez e esse fato foi omitido dele, pela a mãe da menor, por três anos.
Juiz Paulo: É existente alguma prova concreta da paternidade? - questionou enquanto fazia algumas anotações.
Carlos: Não, senhor.
Juiz Paulo: Obrigado, Carlos. Senhor Neymar Júnior, poderia dizer como e quando você e a senhorita Júlia Sanchez se conheceram?
Júnior: Claro! Nos conhecemos nas festas de fim do ano de 2011, em Ibiza. Por coincidência nós estávamos hospedados no mesmo hotel e em uma das festas realizada na ilha nos encontramos e nos conhecemos. Depois disso, tivemos relações íntimas e passamos o restante da viagem juntos. - contou essa última parte me encarando e eu desviei o olhar para a mesa. - Mantivemos contato mesmo de longe por algum tempo, mas alguns meses depois ela sumiu e eu não consegui ter qualquer contato com ela mais. - continuou.
Juiz Paulo: A senhorita Júlia Sanchez, confirma? - me olhou.
Júlia: Sim, senhor. - olhei para ele.
Juiz Paulo: E como você soube que ela ficou grávida, senhor Neymar Jr.?
Júnior: Na verdade eu só descobri agora, quando viajei a negócios para Madrid e a encontrei com a nossa filha em um parque.
Juiz Paulo: Poderia me dizer os detalhes do que te levou a acreditar que a menor Maria Luíza Medeiros Sanchez seja realmente sua filha?
Júnior: A Júlia mesmo me disse. Eu descobri a idade da menina, fiz as contas e vi que teria uma grande chance dela ser minha. Marquei um encontro com a Júlia, a confrontei e ela confessou que era verdade.
Juiz Paulo: Qual é a idade da menor, senhorita Júlia Sanchez?
Júlia: Dois anos e dez meses.
Juiz Paulo: E a senhorita tem certeza que a mesma é filha do senhor Neymar Jr.? - perguntou e o Júnior me olhou esperando a resposta. Vendo onde eu estou e qual é minha situação, meu desejo de poder negar agora é imenso. Seria tudo mais fácil se ela não fosse, tudo. Mas, infelizmente, não tenho nenhuma dúvida sobre isso. Ela é dele, eu querendo ou não!
Dennis: Responde, Júlia! - sussurrou pra mim apertando minha mão por baixo da mesa e me despertando dos meus pensamentos.
Juiz Paulo: Senhorita, tudo bem?
Júlia: Sim, desculpe. Eu tenho total certeza que o pai da minha filha é o Neymar Jr. - engoli em seco e quando olhei para o Júnior observei uma pequena expressão de alívio.
Juiz Paulo: Entendido. - anotou algo e depois voltou a me encarar. - Então o motivo da senhorita ter cortado relações com o senhor Neymar Jr. foi a gravidez?
Júlia: Mais ou menos - suspirei.
Juiz Paulo: Por que "Mais ou Menos"? - perguntou com uma expressão curiosa.
Júlia: Eu descobri que estava grávida três meses depois que nos vimos pela última vez. Fiquei muito chocada no começo, mas depois que digeri um pouco a novidade inesperada meu pai me convenceu a ligar para o Neymar Jr. e contar.
Júnior: Ligação que eu nunca recebi, só pra completar. - disse irônico.
Júlia: Eu já te falei, você não viu porque foi seu pai que atendeu e disse que você tinha saído e deixado o celular em casa. - respondi com raiva e olhei para o Juiz. - Meu pai tomou a decisão de contar para o pai do Neymar Jr. e foi ele mesmo que contou toda a história. Mas o pai do Neymar Jr. disse que não tinha acreditado e que eu só estava querendo se aproveitar do filho dele e acabar com a sua carreira. Me ameaçou dizendo que se eu conta-se da gravidez para o Neymar Jr. ele iria fazer de tudo para tirar minha filha de mim e que até inventaria provas para conseguir fazer isso.
Júnior: Ela está mentindo! Meu pai nunca faria isso e ele mesmo disse que nem conhece e nunca falou com ela. - respondeu alto, se exaltando.
Júlia: Você está sendo enganado por ele, então. Porque eu não preciso mentir sobre isso.
Juiz Paulo: Por favor, vamos manter a calma! - olhou para o advogado do Júnior. - Controle seu cliente. - ele assentiu e sussurrou algo para o Júnior.
Dennis: Desculpa senhor Juiz, mas eu sou o pai da Júlia Sanchez e posso afirmar que o que ela contou é verdade. Como ela disse, eu estava presente no momento.
Juiz Paulo: Obrigado pelo complemento, senhor Dennis. Mas o motivo do porque a senhorita Júlia Sanchez resolveu omitir a gravidez da menor Maria Luíza Medeiros Sanchez não é uma questão para ser tratada agora. Então, vamos começar pelo princípio, certo? - nós assentimos. - Gostaria de saber porque o exame de DNA não foi feito por vocês ainda?
Eduardo: Senhor Juiz, meu cliente ainda não realizou o exame porque faz pouco tempo que ele descobriu sobre a possibilidade de ser o pai da menor. Além disso, ele tem total certeza que o resultado seria positivo.
Dennis: Minha cliente também não realizou porque não tem nenhuma dúvida sobre a paternidade da sua filha, senhor Juiz.
Juiz Paulo: Eu entendo, mas como vocês já devem saber não podemos seguir em frente com o processo sem ter descartado qualquer chance da menor em questão não ser filha do senhor Neymar da Silva Santos Júnior. Então irei entrar com o pedido do exame de DNA e quando sair o resultado seguiremos com as audiências para resolver a situação da tutela da menor Maria Luíza Medeiros Sanchez. Alguma dúvida? - perguntou olhando para nós.
Júnior: Até sair o resultado eu posso ter a permissão para falar com a minha filha? - perguntou e eu encarei o Juiz esperando a resposta.
Juiz Paulo: Sem o resultado do teste de DNA, eu não posso determinar que a senhorita Júlia Sanchez permita ou não permita algo. Isso está fora do meu alcance, por enquanto. Então, qualquer decisão até o resultado sair é entre o senhor e ela. - respondeu, o Júnior me olhou e eu não pude controlar meu sorriso de triunfo. - Mas alguma coisa?
Júnior: Não, obrigado!
Juiz Paulo: Então, declaro por encerrada essa reunião. Peço que os advogados das duas partes ficam atentos para a intimação da realização do exame e logo após disso para a próxima audiência. Tenham um bom dia! - cumprimentou meu pai e eu e enquanto ele ia fazer a mesma coisa com o Júnior e o advogado, eu junto com o meu pai saímos da sala.
Júlia: Não foi tão ruim, foi? - perguntei para o meu pai enquanto a gente caminhava pelo corredor.
Dennis: Não foi! Mas essas primeiras reuniões são sempre mais tranquilas do que as próximas.
Júlia: Poxa, obrigado por essa informação. Com certeza me deixou mais calma agora, pai. - sorri irônica.
Dennis: Desculpa, querida! Tô dizendo isso porque é a minha função deixar os clientes informados de todas as etapas, mas não perca a esperança e a tranquilidade por causa disso. Não vai ajudar em nada! - disse e me abraçou de lado quando saímos no estacionamento.
Xxx: Júlia! - escutamos alguém me gritando atrás da gente e quando olhamos vimos o Júnior correndo até a gente.
Dennis: Não vai esperar ele? - perguntou quando eu continuei andando e ele acompanhou.
Júlia: Não! - revirei os olhos. Chegamos no carro e ele destravou o mesmo.
Júnior: Júlia, preciso falar com você, por favor. - continuou gritando e chegando perto.
Dennis: Fale com ele logo, Júlia. Não se esquece que vocês dois tem uma filha juntos, apesar de tudo. Vou esperar dentro do carro. - respondeu já entrando no banco do motorista e fechando a porta. Eu bufei e fiquei esperando o cretino Jr. chegar perto.
Júnior: Obrigado por esperar.
Júlia: Não agradeça! Fale logo o que quer porque tenho que ir embora. - falei com os braços cruzados.
Júnior: Tudo bem... - respirou fundo e imitou minha posição. - Quero que você volte a atender minhas ligações para eu poder falar com a nossa filha.
Júlia: E por que eu deveria fazer isso?
Júnior: Porque eu sou o pai dela?! - respondeu com um tom óbvio.
Júlia: Mas o DNA ainda não foi feito para comprovar definitiva...
Júnior: Para, Júlia! - me interrompeu. - Você mesma sabe que esse exame é irrelevante. O que você ganha negando o direito da sua filha de falar com o pai? Pense nela, cara! Ela ficava super empolgada de falar comigo nas vezes que eu liguei.
Júlia: Tá, tá bom! - respondi exasperada. Ele tem razão, a Maria se apegou totalmente aos momentos em que eles se falam. Não foi atoa que ela demonstrou sentir falta dele. - Mas não é por você! É somente para o bem da Maria Luíza.
Júnior: Tá bom! - sorriu largamente, um sorriso que eu me acostumei a admirar à três anos atrás. Por que você tem que acreditar fielmente naquele cretino, Júnior?! Seria tudo mais fácil se você ao menos cogita-se que o que eu disse talvez seja verdade. - Que horas eu posso ligar, então?
Júlia: No mesmo horário que você ligava antes e para o bem de nós três, vamos manter a conversa somente entre vocês dois. - abri a porta do carro. - Não vai fazer diferença né, você já vem fazendo exatamente isso desde o começo. - sentei no banco da frente e fechei a porta. - Vamos! - falei para o meu pai enquanto colocava o cinto.
Dennis: Tudo bem? - perguntou para mim observando o Júnior ir para um carro que estava um pouco mais à frente.
Júlia: Sim! - ele assentiu e deu partida. Passamos ao lado do carro do Júnior, buzinaram pra gente e quando eu olhei para o motorista vi que era o filho da mãe do pai dele. - Cretino desprezível! - sussurrei.
Dennis: Ele vai pagar por tudo que está fazendo, tenho certeza!
Júlia: Deus te ouça! - suspirei.
(...)
Fomos direto para a casa da Sarah, contamos os detalhes da reunião pra ela e depois resolvemos voltar pra casa. Arrumamos nossas poucas coisas, nos despedimos da Sarah, pedimos para ela mandar um beijo pro Felipe, que estava trabalhando, e pegamos a estrada de volta pra Madrid.
Dennis: Vamos parar em algum restaurante para almoçar? - perguntou quando já estávamos na metade do caminho.
Júlia: Vamos! - olhamos todos os restaurante de beira da estrada e quando achamos um agradável, ele estacionou o carro, descemos, entramos no estabelecimento e ocupamos uma mesa próxima a janela. O garçom trouxe o cardápio, escolhemos o prato e enquanto não ficava pronto eu e meu pai ficamos conversando. Vinte minutos depois o garçom voltou com os pedidos e antes de eu começar a comer tirei foto e postei.
SanchezJú: Colorful Lunch! ♡
biacosta: Lindo, porém não trocaria pelo meu arroz e feijão hahahaha
rachelapollonio: Meu orgulho com essas comidas saudáveis ♡
iphonedajú: Oi sua linda!
cacaparra: Fingindo ser fit né Júlia Sanchez?!
emi_lima: Muito menos eu @BiaCosta
sanchezjú: Não se acostuma amiga, ainda como pizza toda semana hahahaha @RachelApollonio
jéssicareis: Eca!
sanchezjú: Tô, igual tu José! @CacaParra
Respondi mais alguns comentários, mas cinco minutos depois guardei o celular e fiquei batendo papo com o senhor Dennis enquanto comia.
Depois do almoço voltamos para a estrada e enfim chegamos em casa por volta das duas horas da tarde.
Dennis: Chegamos! - exclamou pra ninguém especificamente, porque a sala estava vazia, quando a gente entrou. - Não tem ninguém em casa?!
Júlia: Está parecendo que não! - afirmei colocando minhas coisas no sofá. - Vou olhar lá na cozinha.
Dennis: E eu lá em cima, vou aproveitar pra tomar um banho... - assenti e saí da sala, encontrando a cozinha também vazia. Peguei um copo, fui até a geladeira, me servi com água, sentei da bancada e enquanto bebia peguei meu celular no bolso e liguei para a dona Marcela.
Marcela: Oi, Júlia! Já chegaram? - disse assim que atendeu.
Júlia: Sim, nesse instante. Onde você está?
Marcela: Eu e a Rosa trouxemos a Malu no parque.
Júlia: Ela conseguiu exatamente o que queria... - ri.
Marcela: Não tivemos escolha, ficou desde ontem pedindo pra vir. - riu também. - Mas já estamos voltando pra casa. Estou curiosa pra saber como foi lá na audiência.
Júlia: Sei que está! Tô esperando vocês aqui...
Marcela: Tá bom! É só o tempo de eu conseguir convencer a Maria Luíza a ir embora usando meu truque de prometer voltar outro dia. - riu.
Júlia: Já te falei que você faz muito o gosto dela hein... Depois não reclama! - revirei os olhos.
Marcela: Não começa com a chatice, Júlia! Tchau, até logo.
Júlia: Até! - desligamos. Depois que lavei o copo que usei, subi e passei no quarto dos meus pais. - Pai, liguei pra mamãe e ela disse que está no parque com a sua neta e a Rosa.
Dennis: Ela disse quando vai vir pra casa? - perguntou em um tom alto de dentro do closet.
Júlia: Disse que já está vindo.
Dennis: Ok...
Júlia: Vou lá no meu quarto, qualquer coisa me chama.
Dennis: Tá bom! - saí fechando a porta, fui para o meu quarto e me joguei na cama. Fiquei olhando para o teto em meio aos pensamentos e acabei cochilando sem perceber.
(...)
Beijos molhados e mãos pequenas na minha bochecha me despertou.
Malu: Mamãe, acoda! - sussurrou no meu ouvido.
Júlia: Huumm - resmunguei e continuei com os olhos fechados.
Malu: Mamãe... - chamou de novo e dessa vez começou a apertar minha bochecha, deixando minha boca estilo peixinho.
Júlia: Hunhumm - tentei fechar e abrir a boca, ela riu e tirou as mãos. - Quem é que está ousando me tirar do meu sono?
Malu: Eu! - exclamou ainda rindo.
Júlia: Eu quem? - abri um pouco um olho.
Malu: Malia Luíza!
Júlia: Ah, é a princesa Malu?
Malu: Xim! - sorriu.
Júlia: Ai meu Deus! - abri os olhos e fiz cara de surpresa. - Tem uma princesa na minha cama. Por favor, me dá um abraço senhorita princesinha? - ela assentiu rindo e eu a agarrei super apertado puxando ela pra cima de mim.
Malu: Aí, mamãe! Tá apetado... - exclamou ainda gargalhando.
Júlia: Desculpa dona princesa, foi sem querer. - ri e deixei ela sentada na minha barriga. - E aí, como foi o passeio com a vovó e a Rosinha?
Malu: Eu binquei no pula-pula e a Losa me empulou no balancinho.
Júlia: Uau, você gostou?
Malu: Xim!
Júlia: Que bom, amor! Cadê a vovó?
Malu: Tá lá no quato com o vovô. A xente tava vendo filme do peixinho e depois que teminou eu pedi pra vim te acoda. - sorriu. - O vovô disse que voxê domi muto.
Júlia: Aé?! - peguei meu celular e concordei com o meu pai quando olhei a hora e já passava das cinco da tarde. Também vi que tinha chegado mensagens no Whats. - Dessa vez seu avô tem razão. - ri.
Malu: Bota desenho, mamãe! - pediu apontando pra TV.
Júlia: Coloco, mas é só um pouquinho porque já vamos descer pra comer alguma coisa.
Malu: Tá! - liguei a televisão e coloquei no canal dos desenhos. Aproveitei que ela focou a atenção lá pra ver as mensagens que era todas da Jéssica.
Meu celular começou a tocar pelo face time no exato momento em que encerramos a conversa. Júnior!
Júlia: Filha?
Malu: Oi! - me olhou.
Júlia: O Júnior tá ligando pra falar com você. - mostrei a tela do celular que ainda tocava.
Malu: O Xúninho? - assenti e sorriu de orelha a orelha. - Oba! Dexa eu fala com ele, mamãe.
Júlia: Calma! - sorri com a sua empolgação, aceitei a chamada e passei o celular pra ela.
Malu: Xúninhooo... - exclamou ainda sorrindo.
Júnior: Oi, princesa! - riu.
Malu: Oi!
Júnior: Tudo bem?
Malu: Xim! Puque voxê demolou pra ligar maisi?
Júnior: Porque... - ficou em silêncio por alguns segundos, provavelmente pensando no que iria responder. - Porque eu não tava podendo ligar, mas agora eu posso e juro que vou ligar todos os dias. Me desculpa?
Malu: Diculpo, maisi voxê têm que levar eu e o Davi no paque mutas vezes agola. - o Júnior riu e eu também não pude se segurar. Chantagista!
Júnior: Combinado! O que você está fazendo?
Malu: Tô vendo desenho no quato da mamãe. - virou a tela do celular na direção da tv e depois voltou para ela.
Júnior: Que legal!
Malu: Mamãe, posso pegar a Nina pro Xúninho vê? - me olhou.
Júlia: Agora? Não é melhor deixar pra quando ele ligar de novo?
Malu: Maisi voxê disse que podia ser hoje! - fez cara de choro. - A Nina quer muto falar com o Xúninho tábem. - o Júnior riu.
Júlia: Tá bom! - revirei os olhos. - Deixa que eu pego no quarto de brinquedos.
Malu: Não tá no quato de binquedos, mamãe. Eu vou pega no quato da vovó e do vovô!
Júlia: O que ela tá fazendo lá?
Malu: É puque ela domiu comigo e a vovó outo dia. - respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. - Xúninho, fica com a mamãe lapidinho que eu vou pegar a Nina. - me entregou o celular, desceu da cama e saiu correndo do quarto.
Júlia: Não corre, Maria Luíza! - gritei alto, mas tive certeza que foi em vão quando os barulho dos passos não diminuiram. Suspirei e quando olhei para o celular vi o Júnior me olhando prendendo o riso.
Júnior: Oi!
Júlia: Oi! Desculpa pela a espera, ela já vai voltar. - respondi exasperada.
Júnior: Sem problemas! Ela é sempre assim, cheia de energia?
Júlia: Em todo os momentos em que não está dormindo. - ele riu.
Júnior: Deu pra perceber... Então, foi tudo bem na viagem de volta?
Júlia: Sim! - respondi curta e ficamos em silêncio até a Malu voltar com a bendita boneca. - O que eu disse sobre correr, Maria Luíza?
Malu: Diculpa, mamãe! Maisi eu quelia pegar a Nina lapidinho pro Xúninho ver. - disse subindo de volta na cama.
Júlia: Não precisava ter pressa, o Júnior não ia desligar se você demora-se um pouco mais do que isso. - entreguei o celular pra ela. - Dá próxima vez que correr vai ficar no castigo, ouviu?
Malu: Ovi, mamãe.
Júlia: Tudo bem! A mamãe vai no banheiro rapidinho e você fica aqui falando com o Júnior. - ela assentiu e eu desci da cama.
Malu: Olha Xúninho, essa é a Nina. A loupa dela foi eu que coloquei, tá bonita? - ri quando escutei a pergunta dela antes de entrar no banheiro. Júnior vai sofrer na pele o que é ter uma filha menina hahaha...
Fiz xixi, lavei as mãos e antes de voltar para o quarto passei água no rosto, pra tirar um pouca da cara de sono, e sequei o mesmo.
Júnior: Eu acho que a Nina não vai gostar de brincar de pega pega comigo, você, Davi e o Pôquer. - sentei na beira da cama ouvindo ele falando e rindo.
Malu: Ela vai ficar vendo a xente, né Nina?! - alisou o cabelo da boneca e depois olhou pra mim. - Mamãe, o Xúninho tem um cacholo muto gande e fofinho.
Júlia: Aé?! - sorri.
Malu: Xim! Ele apaleceu aqui... - apontou para o celular. - Xúninho, ele gosta de bincar com bolinhas? - eles continuaram a conversar por mais 5 minutos e depois o Júnior precisou desligar. Ele se despediu da Malu e da Nina, que a Maria fez questão de lembrar, e depois que encerrou a chamada a Malu me entregou o celular.
Júlia: Vamos descer pra comer alguma coisa agora? - falei levantando e colocando o celular no bolso.
Malu: Vamo! - desceu da cama e me deu a mão. Desliguei a tv, saímos do meu quarto e passamos no da dona Marcela e senhor Dennis.
Júlia: Olá! - sorri.
Marcela: Oi! Apagou hein... - disse sentando na cama, onde estava deitada com o meu pai.
Júlia: Tava cansada, então peguei no sono sem perceber. Chegou faz muito tempo?
Marcela: Bastante! Tive que segurar a Malu aqui pra ela não ir te acordar no mesmo instante que chegamos. - rimos e olhamos para ela que já estava no colo do meu pai na cama cheia de graça.
Malu: Vovó, o Xúninho tem um cacholo bem gande assim óh... - abriu os braços.
Marcela: Que bacana! E você apresentou a Nina pra ele? - riu. - Com a empolgação que entrou aqui pra pegar essa boneca...
Malu: Xim! A Nina adolou falar com ele e o Xúninho disse que vai levar eu e a Nina pra bincar com o Davi.
Dennis: Você vai ser a responsável por novos desafios que ele vai ter que lidar né princesa?! - riu. - Não é fácil lidar com uma filha menina.
Júlia: Pensei a mesma coisa agora à pouco. - ri. - Vamos descer, Maria. - falei ainda em pé segurando a porta.
Marcela: Vou aproveitar pra descer junto. - levantou da cama.
Malu: Vou ficar com o vovô, mamãe.
Júlia: Não, vamos tomar café.
Malu: Só um poquinho...
Dennis: Vai indo Júlia, desço com ela daqui alguns minutos.
Júlia: Não demora ou vai chegar perto do horário da janta e se ela comer algo não vai querer jantar depois. - ele assentiu e eu saí do quarto junto com a minha mãe.
Marcela: Seu pai me contou como foi lá na reunião.
Júlia: Contou?!
Marcela: Sim! Disse que foi tranquila...
Júlia: É, foi mais de boa do que eu pensei que seria. - descemos a escada. - Claro, tirando a parte em que eu tive que olhar e aturar o deboche daquele cretino do pai do Júnior.
Marcela: Seu pai me contou. É óbvio que ele foi somente pra isso, tentar te fazer perder o controle.
Júlia: Ele quase conseguiu! Só de olha-lo minha raiva recentida veio a tona, mas graças ao senhor me mantive tranquila.
Marcela: Ainda bem! O que é dele está guardado, Deus nunca falha.
Júlia: Amém! - chegamos na cozinha e encontramos a Rosa. Oi, Rosinha!
Rosa: Oi, minha filha. Tudo bem?
Júlia: Sim! Apenas com uma pequena fome presente no meu estômago. - rimos.
Marcela: Tão pequena que se comer um boi inteiro não seria suficiente, Rosa. - balançou a cabeça indo até a geladeira.
Júlia: Credo, mãe! Releva aí né, só comi um almoçozinho no caminho pra casa. - ela riu.
Rosa: O que você quer, Júlinha?
Júlia: Olha, algumas das suas panquecas maravilhosas cairia super bem.
Rosa: Tá bom, pode deixar que vou fazer agora.
Júlia: Faz uma quantidade boa porque a Jés está vindo pra cá e sabemos como ela é né... - rimos.
Rosa: Sei bem! - disse já pegando os ingredientes.
Marcela: O que a Jéssica tá vindo fazer aqui?
Júlia: O ape dela está com problema no encanamento e por isso ela vai ficar aqui até ser resolvido.
Marcela: O quarto de hóspede está arrumado?
Júlia: Não sei, mas não estou ligando porque a última pessoa que ficou por lá foi a própria Jéssica, então se tiver foi ela mesma que fez. - dei de ombro e ela riu.
Marcela: Ótima amiga você, minha filha.
Júlia: Com certeza! - ri. Escutamos a campainha tocar. - Olha ela aí... - saí da cozinha, fui para o hall de entrada e encontrei o meu pai junto com a Malu cumprimentando a Jés.
Jéssica: A titia veio dormir aqui! - disse pra Malu.
Malu: Oba! A xente vai comer pipoca e ver desenho?
Jéssica: Claro, meu amor! - riu.
Júlia: Minha filha tá viciada... - cheguei mais perto e eles me olharam.
Dennis: Lógico! Toda vez que a Jéssica vem pra cá vocês inventam de fazer isso. - negou com a cabeça.
Jéssica: Nosso programa preferido de meninas, tio. - rimos.
Dennis: Já percebi! - riu. - Vem princesa, vamos comer. - pegou a mão da Malu.
Júlia: A Rosa tá fazendo panquecas, coloca uma pra ela. - ele assentiu e saíram.
Jéssica: Toma, mas não se acostuma! - me entregou uma sacola de supermercado com um pote de sorvete dentro.
Júlia: Porra, eu te amo garota. - ri e beijei seu rosto.
Jéssica: Tem que me amar mesmo, porque amiga igual a mim é raro...
Júlia: Menos, querida! - rimos. Fechei a porta e fomos para a sala. - Vai colocar suas coisas lá em cima. Estamos todos na cozinha!
Jéssica: Tá, mas vê se não come todas as panquecas da Rosinha.
Júlia: Que panquecas?! - fingi uma expressão de desentendida.
Jéssica: Pode parar, palhaça! Limpei meu ouvido hoje e ouvi muito bem você falando com o tio. - rimos. - Já estou voltando! - subiu as escadas e eu voltei pra cozinha.
Marcela: Cadê a Jéssica?
Júlia: Foi guardar as coisas... - fui colocar o sorvete na geladeira.
Malu: É sovete, mamãe?
Júlia: É sim, mas pode continuar comendo sua panqueca aí porque não vamos tomar agora. - ela assentiu e continuou comendo a panqueca junto com suco.
Marcela: Sua vó ligou mais cedo pra perguntar quando vamos para o Brasil, Júlia.
Júlia: Vocês tão querendo ir quando? - sentei na mesa junto com o meu pai e a Malu e comecei a passar mel na minha panqueca.
Dennis: Sua mãe vai fechar a loja dia 7 e é exatamente o dia em que entro de férias no escritório.
Júlia: As minhas são dia 5, mas não sei se vou poder ir para o Brasil nesse dia porque depende das audiências né...
Dennis: Verdade! Pra mim só vai ficar o seu caso na agenda.
Marcela: Então vamos todos esperar essas audiências passarem.
Dennis: Acho que antes do dia vinte eles entram em recesso. Tô achando que até lá o Juiz vai agilizar bastante o processo.
Marcela: Tomara, não vejo a hora disso tudo acabar. - veio sentar na mesa também. - Pelo que sua vó disse, a família toda chega por volta do dia 20 também lá na casa.
Júlia: A tia Denise e o tio Vinícios vão poder ir esse ano?
Marcela: Eles disseram que sim e a mamãe adorou né. Pensa numa pessoa que gosta de casa cheia. - rimos.
Jéssica: Cheguei! Espero que tenham deixado panquecas para mim. - disse entrando na cozinha.
Marcela: Se demora-se mais um pouco ia ficar sem. - riu e a Jés beijou sua bochecha.
Jéssica: Que isso tia, a Rosinha não ia deixar vocês fazer isso comigo, né Rosinha? - cumprimentou a Rosa também.
Rosa: Tô fora dessa, prefiro fazer minha janta em paz... - rimos. A Jéssica sentou ao meu lado e começou a se servir.
Jéssica: E aí Júlia, como foi lá hoje?
Júlia: Foi tranquilo! Chegamos lá e... - contei para ela mais ou menos como foi sem dar nomes aos bois por causa da Malu. - As coisas vão ficar tensas nas próximas eu acho.
Marcela: Eles só vão entrar definitivamente no assunto da guarda depois que o exame for feito.
Dennis: Não dá pra correr o risco de se envolver nesse assunto e depois descobrir que não era necessário porque o teste deu negativo.
Jéssica: O teste vai ser feito a mando do Juiz né?
Júlia: É Sim! - respondi e continuamos a conversar sobre esse assunto enquanto comíamos.
(...)
Quando anoiteceu tomei banho junto com a Malu e nos aprontamos para dormir, já que estava chovendo bastante e não iríamos sair de casa. Jantamos junto com os meus pais e a Jéssica, depois todos nós fomos pra sala e fizemos uma sessão pipoca com filmes. Meus pais foram os primeiros a subi pro quarto, depois foi a vez da Malu que capotou no meu colo enquanto mamava e eu a coloquei no quarto dela. Eu e a Jéssica ainda ficamos na sala mais conversando do que prestando atenção no filme, resolvemos subir quando já estava ficando tarde de mais, nos despedimos no corredor e ela entrou no quarto de hóspede e eu no meu.
Dennis: Chegamos! - disse quando estacionou no estacionamento do Tribunal. - Tá tudo bem?
Júlia: Não sei! Fora o nervosismo e o frio na barriga, acho que estou ok. - respirei fundo.
Dennis: Isso é normal! Basta lembrar de manter a calma lá dentro e só responde o que o Juiz perguntar.
Júlia: Tudo bem! Mas o problema não é muito isso e sim se vou conseguir segurar a vontade de matar aquele monstro se ele vier com o Júnior.
Dennis: Tenho certeza que ele não veio porque essa é uma reunião só para quem faz parte do processo e seus advogados. Então, fica calma! - assenti. - Vamos entrar, não é bom chegar atrasados. - saímos do carro e ele foi me guiando para dentro do Tribunal, porque eu estava meio perdida. A Sarah e a minha mãe, por telefone, fizeram de tudo para me tranquilizar hoje mais cedo. Até o Felipe tentou me fazer rir antes de sair para o trabalho. Porém, nenhuma das duas coisas funcionou. E minha mãe ter colocado a Malu pra falar comigo só tornou mais ruim ainda minha situação. Isso me lembrou o que está em jogo nessa batalha. - Chegamos oito horas em ponto. - disse olhando no relógio de pulso quando chegamos em um corredor de frente para uma porta.
Júlia: Vai demorar muito para eles chamarem? - perguntei limpando as mãos suadas na calça jeans.
Dennis: Creio que... - foi interrompido pela porta da sala que abriu e um homem de terno apareceu.
Xxx: Neymar da Silva Santos Júnior e Júlia Medeiros Sanchez? - (Imaginem toda audiência em espanhol.)
Xxx: E-eu sou Júlia... - respondi nervosa e ele me olhou.
Dennis: Sou o advogado dela, Dennis Sanchez. - estendeu a mão pra ele e o mesmo apertou.
Xxx: Sejam bem vindos! Meu nome é Carlos e sou responsável pela assistencia da audiência de vocês. - assentimos. - O Neymar da Silva Santos Júnior ainda não chegou?
Xxx: Ele está aqui! - respondeu uma voz atrás da gente, olhamos e eu vi o Júnior acompanhado por dois homem. Eu não conhecia nenhum dos dois, mas um eu sei perfeitamente quem é. O cretino responsável por tudo que eu fui obrigada a fazer e pela minha situação agora.
Júnior: Eu sou o Neymar Jr. - disse chegando mais perto e me olhando rapidamente.
Xxx: Eduardo Peixoto, advogado dele. Desculpa o atraso, tivemos um imprevisto com o trânsito.
Carlos: Tudo bem, sejam bem vindos. Já que todos estão presentes, vamos entrar e se acomodar, o Juiz responsável pelo caso já está quase pronto. Desculpe, quem é o senhor? - perguntou para o cretino.
Neymar pai: Sou pai do Neymar Jr. - respondeu e me olhou logo depois encontrando meu olhar, que com toda certeza demonstrava ódio, sobre ele. Minha vontade de perder a tranquilidade e voar em cima dele é grande.
Carlos: Ah sim, mas o senhor, infelizmente, não vai poder entrar.
Neymar pai: Tudo bem, só vim acompanhar meu filho. - bateu no ombro do Júnior. - Vou te esperar aqui fora. - o Júnior assentiu e antes do cretino sair ainda teve a cara de pau de me lançar um sorriso irônico por trás do filho.
Dennis: Calma... - sussurrou para mim, colocando uma mão na minha cintura e demostrando que assim como eu também viu o deboche do filho da puta. Que raiva que eu estou sentindo da cara desse homem. Meu desprezo por ele é muito maior do que eu senti nesses três anos. Agora eu sou obrigada a olhar a cara desse ser.
Respirei fundo enquanto eu, meu pai e o Neymar Júnior junto com o advogado seguimos o homem de terno pra dentro da sala e ocupamos os lugares que ele indicou. Eu e o Júnior de lados opostos da mesa, de frente um para o outro e nossos advogados ao nosso lado.
Carlos: Fiquem a vontade, vou comunicar que já está tudo pronto aqui. - assentimos e ele saiu da sala por uma porta lateral diferente da qual tínhamos entrado.
Júlia: Quanto tempo vai durar essa audiência? - perguntei com um tom de voz baixo para o meu pai.
Dennis: Geralmente as reuniões iniciais como essa levam entorno de trinta minutos ou uma hora... - concordei e quando olhei para frente encontrei o Júnior me olhando.
Júnior: Por que não atendeu minhas ligações? - me perguntou e eu arqueei uma sobrancelha.
Júlia: Por que?! - ri com deboche. - Desculpa, mas não estou acostumada a atender alguém que quer tirar minha filha de mim.
Júnior: Eu tenho o direito de falar com ela! Afinal, ela é minha filha também né...
Júlia: Não sei, vamos ter certeza disso quando o teste de DNA for realizado. - respondi sem pensar e com a raiva me consumindo.
Dennis: Júlia! - exclamou com um tom de repreensão.
Júnior: O que você tá querendo dizer com isso? Quer continuar a me enganar? Sinto muito, mas dessa vez não vai dar. - disse demonstrando estar com tanta raiva quanto eu. O advogado dele disse algo em seu ouvido e ele assentiu e respirou fundo.
Dennis: Se controla, Júlia! Nossa situação já não está tão boa, então não vamos colocar tudo a perder. - sussurrou só para eu ouvir.
Júlia: Tudo bem, desculpa. - respondi fazendo um esforço para me controlar e ele assentiu. Ficamos os quatro em silêncio só nos encarando por alguns minutos até o moço de terno voltar junto com um senhor, que presumir ser o Juiz.
Xxx: Bom dia à todos!
Nós: Bom dia! - ele sentou na cadeira na ponta da mesa e o Carlos ficou em pé ao seu lado.
Xxx: Me chamo Paulo Pedrosa e fui designado para acompanhar o caso de vocês. Podemos começar? - perguntou nos olhando e nós concordamos. - Carlos, apresente o caso, por favor.
Carlos: Estão presentes nessa sala o Neymar da Silva Santos Júnior junto com o seu advogado, Eduardo Peixoto, e Júlia Medeiros Sanchez junto com o seu advogado, Dennis Sanchez. No dia 19 de Novembro o senhor Neymar Jr. entrou com o pedido de recorrência da guarda total da menor Maria Luíza Medeiros Sanchez que se encontra atualmente sob a tutela da mãe, a senhorita Júlia Medeiros Sanchez. Segundo ao que o senhor Neymar Jr. alegou no pedido, a menor em questão é filha dele junto com a senhorita Júlia Sanchez e esse fato foi omitido dele, pela a mãe da menor, por três anos.
Juiz Paulo: É existente alguma prova concreta da paternidade? - questionou enquanto fazia algumas anotações.
Carlos: Não, senhor.
Juiz Paulo: Obrigado, Carlos. Senhor Neymar Júnior, poderia dizer como e quando você e a senhorita Júlia Sanchez se conheceram?
Júnior: Claro! Nos conhecemos nas festas de fim do ano de 2011, em Ibiza. Por coincidência nós estávamos hospedados no mesmo hotel e em uma das festas realizada na ilha nos encontramos e nos conhecemos. Depois disso, tivemos relações íntimas e passamos o restante da viagem juntos. - contou essa última parte me encarando e eu desviei o olhar para a mesa. - Mantivemos contato mesmo de longe por algum tempo, mas alguns meses depois ela sumiu e eu não consegui ter qualquer contato com ela mais. - continuou.
Juiz Paulo: A senhorita Júlia Sanchez, confirma? - me olhou.
Júlia: Sim, senhor. - olhei para ele.
Juiz Paulo: E como você soube que ela ficou grávida, senhor Neymar Jr.?
Júnior: Na verdade eu só descobri agora, quando viajei a negócios para Madrid e a encontrei com a nossa filha em um parque.
Juiz Paulo: Poderia me dizer os detalhes do que te levou a acreditar que a menor Maria Luíza Medeiros Sanchez seja realmente sua filha?
Júnior: A Júlia mesmo me disse. Eu descobri a idade da menina, fiz as contas e vi que teria uma grande chance dela ser minha. Marquei um encontro com a Júlia, a confrontei e ela confessou que era verdade.
Juiz Paulo: Qual é a idade da menor, senhorita Júlia Sanchez?
Júlia: Dois anos e dez meses.
Juiz Paulo: E a senhorita tem certeza que a mesma é filha do senhor Neymar Jr.? - perguntou e o Júnior me olhou esperando a resposta. Vendo onde eu estou e qual é minha situação, meu desejo de poder negar agora é imenso. Seria tudo mais fácil se ela não fosse, tudo. Mas, infelizmente, não tenho nenhuma dúvida sobre isso. Ela é dele, eu querendo ou não!
Dennis: Responde, Júlia! - sussurrou pra mim apertando minha mão por baixo da mesa e me despertando dos meus pensamentos.
Juiz Paulo: Senhorita, tudo bem?
Júlia: Sim, desculpe. Eu tenho total certeza que o pai da minha filha é o Neymar Jr. - engoli em seco e quando olhei para o Júnior observei uma pequena expressão de alívio.
Juiz Paulo: Entendido. - anotou algo e depois voltou a me encarar. - Então o motivo da senhorita ter cortado relações com o senhor Neymar Jr. foi a gravidez?
Júlia: Mais ou menos - suspirei.
Juiz Paulo: Por que "Mais ou Menos"? - perguntou com uma expressão curiosa.
Júlia: Eu descobri que estava grávida três meses depois que nos vimos pela última vez. Fiquei muito chocada no começo, mas depois que digeri um pouco a novidade inesperada meu pai me convenceu a ligar para o Neymar Jr. e contar.
Júnior: Ligação que eu nunca recebi, só pra completar. - disse irônico.
Júlia: Eu já te falei, você não viu porque foi seu pai que atendeu e disse que você tinha saído e deixado o celular em casa. - respondi com raiva e olhei para o Juiz. - Meu pai tomou a decisão de contar para o pai do Neymar Jr. e foi ele mesmo que contou toda a história. Mas o pai do Neymar Jr. disse que não tinha acreditado e que eu só estava querendo se aproveitar do filho dele e acabar com a sua carreira. Me ameaçou dizendo que se eu conta-se da gravidez para o Neymar Jr. ele iria fazer de tudo para tirar minha filha de mim e que até inventaria provas para conseguir fazer isso.
Júnior: Ela está mentindo! Meu pai nunca faria isso e ele mesmo disse que nem conhece e nunca falou com ela. - respondeu alto, se exaltando.
Júlia: Você está sendo enganado por ele, então. Porque eu não preciso mentir sobre isso.
Juiz Paulo: Por favor, vamos manter a calma! - olhou para o advogado do Júnior. - Controle seu cliente. - ele assentiu e sussurrou algo para o Júnior.
Dennis: Desculpa senhor Juiz, mas eu sou o pai da Júlia Sanchez e posso afirmar que o que ela contou é verdade. Como ela disse, eu estava presente no momento.
Juiz Paulo: Obrigado pelo complemento, senhor Dennis. Mas o motivo do porque a senhorita Júlia Sanchez resolveu omitir a gravidez da menor Maria Luíza Medeiros Sanchez não é uma questão para ser tratada agora. Então, vamos começar pelo princípio, certo? - nós assentimos. - Gostaria de saber porque o exame de DNA não foi feito por vocês ainda?
Eduardo: Senhor Juiz, meu cliente ainda não realizou o exame porque faz pouco tempo que ele descobriu sobre a possibilidade de ser o pai da menor. Além disso, ele tem total certeza que o resultado seria positivo.
Dennis: Minha cliente também não realizou porque não tem nenhuma dúvida sobre a paternidade da sua filha, senhor Juiz.
Juiz Paulo: Eu entendo, mas como vocês já devem saber não podemos seguir em frente com o processo sem ter descartado qualquer chance da menor em questão não ser filha do senhor Neymar da Silva Santos Júnior. Então irei entrar com o pedido do exame de DNA e quando sair o resultado seguiremos com as audiências para resolver a situação da tutela da menor Maria Luíza Medeiros Sanchez. Alguma dúvida? - perguntou olhando para nós.
Júnior: Até sair o resultado eu posso ter a permissão para falar com a minha filha? - perguntou e eu encarei o Juiz esperando a resposta.
Juiz Paulo: Sem o resultado do teste de DNA, eu não posso determinar que a senhorita Júlia Sanchez permita ou não permita algo. Isso está fora do meu alcance, por enquanto. Então, qualquer decisão até o resultado sair é entre o senhor e ela. - respondeu, o Júnior me olhou e eu não pude controlar meu sorriso de triunfo. - Mas alguma coisa?
Júnior: Não, obrigado!
Juiz Paulo: Então, declaro por encerrada essa reunião. Peço que os advogados das duas partes ficam atentos para a intimação da realização do exame e logo após disso para a próxima audiência. Tenham um bom dia! - cumprimentou meu pai e eu e enquanto ele ia fazer a mesma coisa com o Júnior e o advogado, eu junto com o meu pai saímos da sala.
Júlia: Não foi tão ruim, foi? - perguntei para o meu pai enquanto a gente caminhava pelo corredor.
Dennis: Não foi! Mas essas primeiras reuniões são sempre mais tranquilas do que as próximas.
Júlia: Poxa, obrigado por essa informação. Com certeza me deixou mais calma agora, pai. - sorri irônica.
Dennis: Desculpa, querida! Tô dizendo isso porque é a minha função deixar os clientes informados de todas as etapas, mas não perca a esperança e a tranquilidade por causa disso. Não vai ajudar em nada! - disse e me abraçou de lado quando saímos no estacionamento.
Xxx: Júlia! - escutamos alguém me gritando atrás da gente e quando olhamos vimos o Júnior correndo até a gente.
Dennis: Não vai esperar ele? - perguntou quando eu continuei andando e ele acompanhou.
Júlia: Não! - revirei os olhos. Chegamos no carro e ele destravou o mesmo.
Júnior: Júlia, preciso falar com você, por favor. - continuou gritando e chegando perto.
Dennis: Fale com ele logo, Júlia. Não se esquece que vocês dois tem uma filha juntos, apesar de tudo. Vou esperar dentro do carro. - respondeu já entrando no banco do motorista e fechando a porta. Eu bufei e fiquei esperando o cretino Jr. chegar perto.
Júnior: Obrigado por esperar.
Júlia: Não agradeça! Fale logo o que quer porque tenho que ir embora. - falei com os braços cruzados.
Júnior: Tudo bem... - respirou fundo e imitou minha posição. - Quero que você volte a atender minhas ligações para eu poder falar com a nossa filha.
Júlia: E por que eu deveria fazer isso?
Júnior: Porque eu sou o pai dela?! - respondeu com um tom óbvio.
Júlia: Mas o DNA ainda não foi feito para comprovar definitiva...
Júnior: Para, Júlia! - me interrompeu. - Você mesma sabe que esse exame é irrelevante. O que você ganha negando o direito da sua filha de falar com o pai? Pense nela, cara! Ela ficava super empolgada de falar comigo nas vezes que eu liguei.
Júlia: Tá, tá bom! - respondi exasperada. Ele tem razão, a Maria se apegou totalmente aos momentos em que eles se falam. Não foi atoa que ela demonstrou sentir falta dele. - Mas não é por você! É somente para o bem da Maria Luíza.
Júnior: Tá bom! - sorriu largamente, um sorriso que eu me acostumei a admirar à três anos atrás. Por que você tem que acreditar fielmente naquele cretino, Júnior?! Seria tudo mais fácil se você ao menos cogita-se que o que eu disse talvez seja verdade. - Que horas eu posso ligar, então?
Júlia: No mesmo horário que você ligava antes e para o bem de nós três, vamos manter a conversa somente entre vocês dois. - abri a porta do carro. - Não vai fazer diferença né, você já vem fazendo exatamente isso desde o começo. - sentei no banco da frente e fechei a porta. - Vamos! - falei para o meu pai enquanto colocava o cinto.
Dennis: Tudo bem? - perguntou para mim observando o Júnior ir para um carro que estava um pouco mais à frente.
Júlia: Sim! - ele assentiu e deu partida. Passamos ao lado do carro do Júnior, buzinaram pra gente e quando eu olhei para o motorista vi que era o filho da mãe do pai dele. - Cretino desprezível! - sussurrei.
Dennis: Ele vai pagar por tudo que está fazendo, tenho certeza!
Júlia: Deus te ouça! - suspirei.
(...)
Fomos direto para a casa da Sarah, contamos os detalhes da reunião pra ela e depois resolvemos voltar pra casa. Arrumamos nossas poucas coisas, nos despedimos da Sarah, pedimos para ela mandar um beijo pro Felipe, que estava trabalhando, e pegamos a estrada de volta pra Madrid.
Dennis: Vamos parar em algum restaurante para almoçar? - perguntou quando já estávamos na metade do caminho.
Júlia: Vamos! - olhamos todos os restaurante de beira da estrada e quando achamos um agradável, ele estacionou o carro, descemos, entramos no estabelecimento e ocupamos uma mesa próxima a janela. O garçom trouxe o cardápio, escolhemos o prato e enquanto não ficava pronto eu e meu pai ficamos conversando. Vinte minutos depois o garçom voltou com os pedidos e antes de eu começar a comer tirei foto e postei.
SanchezJú: Colorful Lunch! ♡
biacosta: Lindo, porém não trocaria pelo meu arroz e feijão hahahaha
rachelapollonio: Meu orgulho com essas comidas saudáveis ♡
iphonedajú: Oi sua linda!
cacaparra: Fingindo ser fit né Júlia Sanchez?!
emi_lima: Muito menos eu @BiaCosta
sanchezjú: Não se acostuma amiga, ainda como pizza toda semana hahahaha @RachelApollonio
jéssicareis: Eca!
sanchezjú: Tô, igual tu José! @CacaParra
Respondi mais alguns comentários, mas cinco minutos depois guardei o celular e fiquei batendo papo com o senhor Dennis enquanto comia.
Depois do almoço voltamos para a estrada e enfim chegamos em casa por volta das duas horas da tarde.
Dennis: Chegamos! - exclamou pra ninguém especificamente, porque a sala estava vazia, quando a gente entrou. - Não tem ninguém em casa?!
Júlia: Está parecendo que não! - afirmei colocando minhas coisas no sofá. - Vou olhar lá na cozinha.
Dennis: E eu lá em cima, vou aproveitar pra tomar um banho... - assenti e saí da sala, encontrando a cozinha também vazia. Peguei um copo, fui até a geladeira, me servi com água, sentei da bancada e enquanto bebia peguei meu celular no bolso e liguei para a dona Marcela.
Marcela: Oi, Júlia! Já chegaram? - disse assim que atendeu.
Júlia: Sim, nesse instante. Onde você está?
Marcela: Eu e a Rosa trouxemos a Malu no parque.
Júlia: Ela conseguiu exatamente o que queria... - ri.
Marcela: Não tivemos escolha, ficou desde ontem pedindo pra vir. - riu também. - Mas já estamos voltando pra casa. Estou curiosa pra saber como foi lá na audiência.
Júlia: Sei que está! Tô esperando vocês aqui...
Marcela: Tá bom! É só o tempo de eu conseguir convencer a Maria Luíza a ir embora usando meu truque de prometer voltar outro dia. - riu.
Júlia: Já te falei que você faz muito o gosto dela hein... Depois não reclama! - revirei os olhos.
Marcela: Não começa com a chatice, Júlia! Tchau, até logo.
Júlia: Até! - desligamos. Depois que lavei o copo que usei, subi e passei no quarto dos meus pais. - Pai, liguei pra mamãe e ela disse que está no parque com a sua neta e a Rosa.
Dennis: Ela disse quando vai vir pra casa? - perguntou em um tom alto de dentro do closet.
Júlia: Disse que já está vindo.
Dennis: Ok...
Júlia: Vou lá no meu quarto, qualquer coisa me chama.
Dennis: Tá bom! - saí fechando a porta, fui para o meu quarto e me joguei na cama. Fiquei olhando para o teto em meio aos pensamentos e acabei cochilando sem perceber.
(...)
Beijos molhados e mãos pequenas na minha bochecha me despertou.
Malu: Mamãe, acoda! - sussurrou no meu ouvido.
Júlia: Huumm - resmunguei e continuei com os olhos fechados.
Malu: Mamãe... - chamou de novo e dessa vez começou a apertar minha bochecha, deixando minha boca estilo peixinho.
Júlia: Hunhumm - tentei fechar e abrir a boca, ela riu e tirou as mãos. - Quem é que está ousando me tirar do meu sono?
Malu: Eu! - exclamou ainda rindo.
Júlia: Eu quem? - abri um pouco um olho.
Malu: Malia Luíza!
Júlia: Ah, é a princesa Malu?
Malu: Xim! - sorriu.
Júlia: Ai meu Deus! - abri os olhos e fiz cara de surpresa. - Tem uma princesa na minha cama. Por favor, me dá um abraço senhorita princesinha? - ela assentiu rindo e eu a agarrei super apertado puxando ela pra cima de mim.
Malu: Aí, mamãe! Tá apetado... - exclamou ainda gargalhando.
Júlia: Desculpa dona princesa, foi sem querer. - ri e deixei ela sentada na minha barriga. - E aí, como foi o passeio com a vovó e a Rosinha?
Malu: Eu binquei no pula-pula e a Losa me empulou no balancinho.
Júlia: Uau, você gostou?
Malu: Xim!
Júlia: Que bom, amor! Cadê a vovó?
Malu: Tá lá no quato com o vovô. A xente tava vendo filme do peixinho e depois que teminou eu pedi pra vim te acoda. - sorriu. - O vovô disse que voxê domi muto.
Júlia: Aé?! - peguei meu celular e concordei com o meu pai quando olhei a hora e já passava das cinco da tarde. Também vi que tinha chegado mensagens no Whats. - Dessa vez seu avô tem razão. - ri.
Malu: Bota desenho, mamãe! - pediu apontando pra TV.
Júlia: Coloco, mas é só um pouquinho porque já vamos descer pra comer alguma coisa.
Malu: Tá! - liguei a televisão e coloquei no canal dos desenhos. Aproveitei que ela focou a atenção lá pra ver as mensagens que era todas da Jéssica.
Meu celular começou a tocar pelo face time no exato momento em que encerramos a conversa. Júnior!
Júlia: Filha?
Malu: Oi! - me olhou.
Júlia: O Júnior tá ligando pra falar com você. - mostrei a tela do celular que ainda tocava.
Malu: O Xúninho? - assenti e sorriu de orelha a orelha. - Oba! Dexa eu fala com ele, mamãe.
Júlia: Calma! - sorri com a sua empolgação, aceitei a chamada e passei o celular pra ela.
Malu: Xúninhooo... - exclamou ainda sorrindo.
Júnior: Oi, princesa! - riu.
Malu: Oi!
Júnior: Tudo bem?
Malu: Xim! Puque voxê demolou pra ligar maisi?
Júnior: Porque... - ficou em silêncio por alguns segundos, provavelmente pensando no que iria responder. - Porque eu não tava podendo ligar, mas agora eu posso e juro que vou ligar todos os dias. Me desculpa?
Malu: Diculpo, maisi voxê têm que levar eu e o Davi no paque mutas vezes agola. - o Júnior riu e eu também não pude se segurar. Chantagista!
Júnior: Combinado! O que você está fazendo?
Malu: Tô vendo desenho no quato da mamãe. - virou a tela do celular na direção da tv e depois voltou para ela.
Júnior: Que legal!
Malu: Mamãe, posso pegar a Nina pro Xúninho vê? - me olhou.
Júlia: Agora? Não é melhor deixar pra quando ele ligar de novo?
Malu: Maisi voxê disse que podia ser hoje! - fez cara de choro. - A Nina quer muto falar com o Xúninho tábem. - o Júnior riu.
Júlia: Tá bom! - revirei os olhos. - Deixa que eu pego no quarto de brinquedos.
Malu: Não tá no quato de binquedos, mamãe. Eu vou pega no quato da vovó e do vovô!
Júlia: O que ela tá fazendo lá?
Malu: É puque ela domiu comigo e a vovó outo dia. - respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. - Xúninho, fica com a mamãe lapidinho que eu vou pegar a Nina. - me entregou o celular, desceu da cama e saiu correndo do quarto.
Júlia: Não corre, Maria Luíza! - gritei alto, mas tive certeza que foi em vão quando os barulho dos passos não diminuiram. Suspirei e quando olhei para o celular vi o Júnior me olhando prendendo o riso.
Júnior: Oi!
Júlia: Oi! Desculpa pela a espera, ela já vai voltar. - respondi exasperada.
Júnior: Sem problemas! Ela é sempre assim, cheia de energia?
Júlia: Em todo os momentos em que não está dormindo. - ele riu.
Júnior: Deu pra perceber... Então, foi tudo bem na viagem de volta?
Júlia: Sim! - respondi curta e ficamos em silêncio até a Malu voltar com a bendita boneca. - O que eu disse sobre correr, Maria Luíza?
Malu: Diculpa, mamãe! Maisi eu quelia pegar a Nina lapidinho pro Xúninho ver. - disse subindo de volta na cama.
Júlia: Não precisava ter pressa, o Júnior não ia desligar se você demora-se um pouco mais do que isso. - entreguei o celular pra ela. - Dá próxima vez que correr vai ficar no castigo, ouviu?
Malu: Ovi, mamãe.
Júlia: Tudo bem! A mamãe vai no banheiro rapidinho e você fica aqui falando com o Júnior. - ela assentiu e eu desci da cama.
Malu: Olha Xúninho, essa é a Nina. A loupa dela foi eu que coloquei, tá bonita? - ri quando escutei a pergunta dela antes de entrar no banheiro. Júnior vai sofrer na pele o que é ter uma filha menina hahaha...
Fiz xixi, lavei as mãos e antes de voltar para o quarto passei água no rosto, pra tirar um pouca da cara de sono, e sequei o mesmo.
Júnior: Eu acho que a Nina não vai gostar de brincar de pega pega comigo, você, Davi e o Pôquer. - sentei na beira da cama ouvindo ele falando e rindo.
Malu: Ela vai ficar vendo a xente, né Nina?! - alisou o cabelo da boneca e depois olhou pra mim. - Mamãe, o Xúninho tem um cacholo muto gande e fofinho.
Júlia: Aé?! - sorri.
Malu: Xim! Ele apaleceu aqui... - apontou para o celular. - Xúninho, ele gosta de bincar com bolinhas? - eles continuaram a conversar por mais 5 minutos e depois o Júnior precisou desligar. Ele se despediu da Malu e da Nina, que a Maria fez questão de lembrar, e depois que encerrou a chamada a Malu me entregou o celular.
Júlia: Vamos descer pra comer alguma coisa agora? - falei levantando e colocando o celular no bolso.
Malu: Vamo! - desceu da cama e me deu a mão. Desliguei a tv, saímos do meu quarto e passamos no da dona Marcela e senhor Dennis.
Júlia: Olá! - sorri.
Marcela: Oi! Apagou hein... - disse sentando na cama, onde estava deitada com o meu pai.
Júlia: Tava cansada, então peguei no sono sem perceber. Chegou faz muito tempo?
Marcela: Bastante! Tive que segurar a Malu aqui pra ela não ir te acordar no mesmo instante que chegamos. - rimos e olhamos para ela que já estava no colo do meu pai na cama cheia de graça.
Malu: Vovó, o Xúninho tem um cacholo bem gande assim óh... - abriu os braços.
Marcela: Que bacana! E você apresentou a Nina pra ele? - riu. - Com a empolgação que entrou aqui pra pegar essa boneca...
Malu: Xim! A Nina adolou falar com ele e o Xúninho disse que vai levar eu e a Nina pra bincar com o Davi.
Dennis: Você vai ser a responsável por novos desafios que ele vai ter que lidar né princesa?! - riu. - Não é fácil lidar com uma filha menina.
Júlia: Pensei a mesma coisa agora à pouco. - ri. - Vamos descer, Maria. - falei ainda em pé segurando a porta.
Marcela: Vou aproveitar pra descer junto. - levantou da cama.
Malu: Vou ficar com o vovô, mamãe.
Júlia: Não, vamos tomar café.
Malu: Só um poquinho...
Dennis: Vai indo Júlia, desço com ela daqui alguns minutos.
Júlia: Não demora ou vai chegar perto do horário da janta e se ela comer algo não vai querer jantar depois. - ele assentiu e eu saí do quarto junto com a minha mãe.
Marcela: Seu pai me contou como foi lá na reunião.
Júlia: Contou?!
Marcela: Sim! Disse que foi tranquila...
Júlia: É, foi mais de boa do que eu pensei que seria. - descemos a escada. - Claro, tirando a parte em que eu tive que olhar e aturar o deboche daquele cretino do pai do Júnior.
Marcela: Seu pai me contou. É óbvio que ele foi somente pra isso, tentar te fazer perder o controle.
Júlia: Ele quase conseguiu! Só de olha-lo minha raiva recentida veio a tona, mas graças ao senhor me mantive tranquila.
Marcela: Ainda bem! O que é dele está guardado, Deus nunca falha.
Júlia: Amém! - chegamos na cozinha e encontramos a Rosa. Oi, Rosinha!
Rosa: Oi, minha filha. Tudo bem?
Júlia: Sim! Apenas com uma pequena fome presente no meu estômago. - rimos.
Marcela: Tão pequena que se comer um boi inteiro não seria suficiente, Rosa. - balançou a cabeça indo até a geladeira.
Júlia: Credo, mãe! Releva aí né, só comi um almoçozinho no caminho pra casa. - ela riu.
Rosa: O que você quer, Júlinha?
Júlia: Olha, algumas das suas panquecas maravilhosas cairia super bem.
Rosa: Tá bom, pode deixar que vou fazer agora.
Júlia: Faz uma quantidade boa porque a Jés está vindo pra cá e sabemos como ela é né... - rimos.
Rosa: Sei bem! - disse já pegando os ingredientes.
Marcela: O que a Jéssica tá vindo fazer aqui?
Júlia: O ape dela está com problema no encanamento e por isso ela vai ficar aqui até ser resolvido.
Marcela: O quarto de hóspede está arrumado?
Júlia: Não sei, mas não estou ligando porque a última pessoa que ficou por lá foi a própria Jéssica, então se tiver foi ela mesma que fez. - dei de ombro e ela riu.
Marcela: Ótima amiga você, minha filha.
Júlia: Com certeza! - ri. Escutamos a campainha tocar. - Olha ela aí... - saí da cozinha, fui para o hall de entrada e encontrei o meu pai junto com a Malu cumprimentando a Jés.
Jéssica: A titia veio dormir aqui! - disse pra Malu.
Malu: Oba! A xente vai comer pipoca e ver desenho?
Jéssica: Claro, meu amor! - riu.
Júlia: Minha filha tá viciada... - cheguei mais perto e eles me olharam.
Dennis: Lógico! Toda vez que a Jéssica vem pra cá vocês inventam de fazer isso. - negou com a cabeça.
Jéssica: Nosso programa preferido de meninas, tio. - rimos.
Dennis: Já percebi! - riu. - Vem princesa, vamos comer. - pegou a mão da Malu.
Júlia: A Rosa tá fazendo panquecas, coloca uma pra ela. - ele assentiu e saíram.
Jéssica: Toma, mas não se acostuma! - me entregou uma sacola de supermercado com um pote de sorvete dentro.
Júlia: Porra, eu te amo garota. - ri e beijei seu rosto.
Jéssica: Tem que me amar mesmo, porque amiga igual a mim é raro...
Júlia: Menos, querida! - rimos. Fechei a porta e fomos para a sala. - Vai colocar suas coisas lá em cima. Estamos todos na cozinha!
Jéssica: Tá, mas vê se não come todas as panquecas da Rosinha.
Júlia: Que panquecas?! - fingi uma expressão de desentendida.
Jéssica: Pode parar, palhaça! Limpei meu ouvido hoje e ouvi muito bem você falando com o tio. - rimos. - Já estou voltando! - subiu as escadas e eu voltei pra cozinha.
Marcela: Cadê a Jéssica?
Júlia: Foi guardar as coisas... - fui colocar o sorvete na geladeira.
Malu: É sovete, mamãe?
Júlia: É sim, mas pode continuar comendo sua panqueca aí porque não vamos tomar agora. - ela assentiu e continuou comendo a panqueca junto com suco.
Marcela: Sua vó ligou mais cedo pra perguntar quando vamos para o Brasil, Júlia.
Júlia: Vocês tão querendo ir quando? - sentei na mesa junto com o meu pai e a Malu e comecei a passar mel na minha panqueca.
Dennis: Sua mãe vai fechar a loja dia 7 e é exatamente o dia em que entro de férias no escritório.
Júlia: As minhas são dia 5, mas não sei se vou poder ir para o Brasil nesse dia porque depende das audiências né...
Dennis: Verdade! Pra mim só vai ficar o seu caso na agenda.
Marcela: Então vamos todos esperar essas audiências passarem.
Dennis: Acho que antes do dia vinte eles entram em recesso. Tô achando que até lá o Juiz vai agilizar bastante o processo.
Marcela: Tomara, não vejo a hora disso tudo acabar. - veio sentar na mesa também. - Pelo que sua vó disse, a família toda chega por volta do dia 20 também lá na casa.
Júlia: A tia Denise e o tio Vinícios vão poder ir esse ano?
Marcela: Eles disseram que sim e a mamãe adorou né. Pensa numa pessoa que gosta de casa cheia. - rimos.
Jéssica: Cheguei! Espero que tenham deixado panquecas para mim. - disse entrando na cozinha.
Marcela: Se demora-se mais um pouco ia ficar sem. - riu e a Jés beijou sua bochecha.
Jéssica: Que isso tia, a Rosinha não ia deixar vocês fazer isso comigo, né Rosinha? - cumprimentou a Rosa também.
Rosa: Tô fora dessa, prefiro fazer minha janta em paz... - rimos. A Jéssica sentou ao meu lado e começou a se servir.
Jéssica: E aí Júlia, como foi lá hoje?
Júlia: Foi tranquilo! Chegamos lá e... - contei para ela mais ou menos como foi sem dar nomes aos bois por causa da Malu. - As coisas vão ficar tensas nas próximas eu acho.
Marcela: Eles só vão entrar definitivamente no assunto da guarda depois que o exame for feito.
Dennis: Não dá pra correr o risco de se envolver nesse assunto e depois descobrir que não era necessário porque o teste deu negativo.
Jéssica: O teste vai ser feito a mando do Juiz né?
Júlia: É Sim! - respondi e continuamos a conversar sobre esse assunto enquanto comíamos.
(...)
Quando anoiteceu tomei banho junto com a Malu e nos aprontamos para dormir, já que estava chovendo bastante e não iríamos sair de casa. Jantamos junto com os meus pais e a Jéssica, depois todos nós fomos pra sala e fizemos uma sessão pipoca com filmes. Meus pais foram os primeiros a subi pro quarto, depois foi a vez da Malu que capotou no meu colo enquanto mamava e eu a coloquei no quarto dela. Eu e a Jéssica ainda ficamos na sala mais conversando do que prestando atenção no filme, resolvemos subir quando já estava ficando tarde de mais, nos despedimos no corredor e ela entrou no quarto de hóspede e eu no meu.
By Vic:
Relevem as partes da audiência porque não sei realmente como funcionam, mas estou fazendo o possível pra sair bom.
Ps: Obrigada pelas idéias, vocês são maravilhosas.



Maravilhoso Continua pfv ta maravilhoso demais já pode postar o próximo.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEspero que ele não consiga a guarda. Ja pode continuar quase morri aqui.PFV
ResponderExcluirContinuaaa ..espero mt q ela ganhe e q eles possam se acertar até msm virar um casal ��
ResponderExcluirSério, se tem q continuar kkkkkk plmr de Deus..N deixa agnt agoniada
ResponderExcluirCapítulo perfeito,mais não demora pra postar não por favor.
ResponderExcluirAmanda
Continua logo!! Entro todo dia pra ver se já postou!
ResponderExcluir