Quando acordei no dia seguinte por pura vontade própria, o Pedro ainda estava dormindo. Levantei da cama lentamente, fui para o banheiro, fiz xixi, me sequei e lavei as mãos, passei enxaguante bucal do Pedro na boca, lavei e sequei o rosto, fiz um coque alto no cabelo, voltei para o quarto e mesmo não querendo vesti a mesma roupa de ontem. Peguei meu celular, vi que a hora marcava 09:45 e que tinha uma chamada perdida da minha mãe. Desci pra cozinha ligando para ela, que atendeu no segundo toque.
Marcela: Júlia?
Júlia: Oi, dona Marcela! - respondi um pouco baixo pra não acordar o Pedro.
Marcela: Onde você tá? A Jéssica disse que você dormiu na casa de um amigo, que amigo é esse?
Júlia: Um amigo, ué. - ri. Abri a geladeira e decidi fazer ovos mexidos para o café depois de analisar o que tinha dentro. - Você ainda não conhece, ele era um amigo do Daniel antes e foi ele que apresentou pra mim e a Jéssica.
Marcela: Entendi! Mas é só amigo mesmo? - perguntou em um tom desconfiado e eu ri mais uma vez.
Júlia: Não, mãe! Digamos que essa noite rolou algo além da amizade. - peguei a frigideira e liguei o fogão.
Marcela: Júlia, Júlia... Se cuidou?
Júlia: É óbvio né! Não tenho mais 19 anos, sei das minhas responsabilidades... - revirei os olhos.
Marcela: Eu sei, mas é sempre bom lembrar.
Júlia: Você já tá na loja? - perguntei apoiando o celular no ombro pra quebrar os ovos.
Marcela: Sim! Saí de casa logo depois que o seu pai e a Jéssica saíram para o trabalho. A Malu ficou dormindo e a Rosa de olho nela. Que horas você vai pra casa?
Júlia: Daqui à pouco! Preciso fazer o que você pediu e depois descansar pra mais tarde ir para o hospital.
Marcela: Tá bom! Deixei os papéis na estante da sala hein...
Júlia: Ok!
Marcela: Preciso desligar, tô cheia de mercadorias pra embrulhar. Beijos e vai logo pra casa.
Júlia: Sim, senhora. Beijo! - desligamos. Coloquei o celular no bolso e quando já estava terminando de fazer os ovos mexidos, vi o Pedro descendo as escadas vestindo apenas uma bermuda. - Te acordei?
Pedro: Não!
Júlia: Que bom... Bom dia, flor do dia!
Pedro: Bom dia, linda! - sorriu e beijou minha bochecha.
Júlia: Tomei a liberdade de invadir sua geladeira e preparar algo pra gente comer.
Pedro: Tudo bem! Se quiser, pode vir todo dia fazer isso. - rimos. - Precisa de ajuda?
Júlia: Têm algo pra beber?
Pedro: Acho que tem suco... - foi até a geladeira e eu peguei dois pratos pra dividir os ovos. - Acordou a muito tempo?
Júlia: Não, tem mais ou menos 15 minutos. Me orgulho por isso porque pra quem dormiu tarde da noite ontem isso até que é cedo. - ri.
Pedro: Verdade! Que horas você vai para o hospital mais tarde? - serviu os sucos e nos sentamos no balcão.
Júlia: Por volta das seis! Antes disso tenho que resolver algumas coisas na rua pra minha mãe e depois ficar um pouco com a Malu. Também é o tempo que a Jéssica chega e me leva lá... - respondi antes de comer um pouco dos ovos.
Pedro: Você não vai de carro? - neguei.
Júlia: Quando é plantão não vou de carro porque sempre no dia seguinte tô morta de cansaço e não gosto de dirigir assim.
Pedro: Tá certa! Se quiser posso te buscar amanhã... - disse depois de tomar um gole do suco e eu o olhei.
Júlia: Mas você não vai trabalhar?
Pedro: Vou, mas talvez dê pra te pegar e levar na sua casa antes de ir pra agência. Que horas termina o plantão?
Júlia: Às sete e meia.
Pedro: Então, dá tempo sim.
Júlia: Não vai ficar muito puxado?
Pedro: Claro que não, é meu caminho mesmo.
Júlia: Então tá! - sorri.
Pedro: Fechou, te aviso quando chegar lá. - assenti, terminamos de tomar café e ele foi se vesti pra me levar para casa. Lavei as coisas que usamos enquanto isso, coloquei meus benditos saltos de volta, ele desceu e saímos do ape. Pegamos o elevador para o estacionamento, entramos em seu carro, ele deu partida e em meio a conversas aleatórias chegamos na minha residência. - Está entregue, senhorita!
Júlia: Obrigado, meu senhor. - sorri.
Pedro: O prazer é todo meu... - fez uma pausa. - Quer dizer, ontem foi todo nosso. - rimos.
Júlia: Tu não deixa passar uma né?!
Pedro: Mas sério, adorei nossa noite! - disse sorrindo.
Júlia: Eu também, mas não tanto quanto você.
Pedro: Claro, até porque quem teve o direito de fazer qualquer pedido foi eu...
Júlia: Exatamente! - rimos. - Dá próxima é minha vez...
Pedro: Então vai ter próxima?! - disse me fazendo perceber o que eu falei.
Júlia: Então... - fiquei sem palavras e ele riu do meu constrangimento. Idiota! - Quem sabe né.
Pedro: Eu já sei e quero que tenha. - sorrimos. - Não vai mudar nada entre a gente né?
Júlia: Não! Continuamos amigos, mas com alguns adicionais uma vez ou outra. - rimos.
Pedro: Fechado, então! Agora vem aqui, preciso de uma despedida digna, por favor... - disse colocando uma das mãos na minha nuca e se inclinando para iniciar um beijo rápido, mas profundo. - Agora sim, até amanhã cedo.
Júlia: Até! Beijo, americano. - abri a porta do carro.
Pedro: Beijo, linda! - sorriu e só deu partida quando cheguei na porta de casa.
Malu: Mamãe! - gritou quando me viu entrando na sala.
Júlia: Oi, meu amor! - sorri e peguei ela no colo quando a mesma veio correndo pra perto de mim. - O que você tá fazendo aqui sozinha? - beijei sua bochecha.
Malu: Bincando! - apontou para alguns brinquedos espalhados no chão.
Júlia: E por que aqui na sala e não no quarto de brinquedos?
Malu: Puque eu não quelia lá e a Losa deixou depoix que eu pometi guardar tudo no lugar quando termina.
Júlia: Ah, se é assim tudo bem! Mas vai ter que guardar mesmo, ouviu? - ela assentiu.
Rosa: Maluzinha? Tá falando com quem? - perguntou vindo da cozinha e sorriu quando me viu com a Malu no colo. - Oi, minha filha! Nem ouvi você chegar.
Júlia: Bom dia, Rosinha!
Rosa: Bom dia!
Júlia: Essa garotinha tá dando muito trabalho?
Rosa: Não! Tá quietinha aqui brincando desde a hora em que acordou. Não quis ficar no quarto de brinquedos e eu acabei deixando ela ficar aqui com a condição de guardar os brinquedos depois. - riu.
Júlia: Ela acabou de me contar isso. Fez certo, quem faz a bagunça tem que arrumar né?! - falei pra Malu e ela assentiu.
Rosa: Já tomou café, Júlinha?
Júlia: Já! Só quero tomar um banho agora... - beijei o pescoço da Malu antes de coloca-la no chão. - E é exatamente isso que vou fazer.
Rosa: Tá bom! Vou voltar lá pra cozinha começar a preparar o almoço. Tem preferência por alguma coisa?
Júlia: Uma lasanha com arroz quentinho cairia bem agora, Rosinha. - ri.
Rosa: Tá bom, vou ver o que eu posso fazer. - sorriu e voltou pra cozinha.
Júlia: Amor, a mamãe vai subir rapidinho pra tomar banho tá? - ela assentiu. - Continua brincando aqui e qualquer coisa chama a Rosa.
Malu: Tá bom! O Xúninho vai ligar agola, mamãe?
Júlia: Agora não, princesa! - suspirei. Tava tão bom essa parte complicada da minha vida no esquecimento por esse tempo. - Mais tarde vocês se falam, tudo bem?
Malu: Tá! - respondeu voltando para os brinquedos e eu subi para o meu quarto.
(...)
Depois do almoço decidi ir logo no correio para minha mãe e levei a Malu comigo. Quando enfim consegui resolver tudo, fomos para o shopping e nós duas ficamos passeando pelas lojas até a fome bater.
Júlia: O que você quer? - perguntei depois que a gente se acomodou em uma das mesas da praça de alimentação.
Malu: Quelo... - fez uma pausa pra pensar. - O lanche que vem com binquedinhos.
Júlia: McLanche Feliz?
Malu: Xim!
Júlia: Tá! Toma, fica aqui vendo desenhos que a mamãe vai aqui do ladinho fazer o pedido. - entreguei meu celular já na pasta dos seus desenhos baixados. - Não saí, hein... - ela assentiu. Levantei e fui para a cabine do Mc, que fica a alguns passos da nossa mesa.
Atendente: Buenas tardes! Cuál será tu pedido?
Júlia: Buenas tardes! Quiero el combo McLanche Feliz junto con el refresco y un Milk-shake de fresa con frutas rojas, por favor.
Atendente: Muy Bien! Vamos a notificarle cuando su pedido esté listo.
Júlia: Gracias! - falei sorrindo e voltei pra perto da Malu. - Voltei! - falei pra ninguém especificamente porque ela não estava prestando atenção em mim e sim no celular. Revirei os olhos e peguei uma revista, que eu tinha comprado mais cedo, pra ler e passar o tempo.
Malu: Mamãe, o Xúninho tá ligando agola. - disse algum tempo depois e me mostrou o celular sorrindo.
Júlia: Atende, mas não levanta muito o celular. - o que eu menos preciso agora é de alguém vendo o Neymar na tela do meu celular. Graças a Deus o local não está cheio.
Malu: Oi, Xúninho! Tô no shoppi com a mamãe. - disse assim que aceitou a ligação.
Júnior: Oi, minha princesa! O que vocês estão fazendo aí?
Malu: A xente vai comer! Eu pedi o lanche que vem com binquedinhos, voxê já compou uma vezi?
Júnior: Claro que já! - riu. - Compro para o Davi direto.
Malu: Voxê vai compar pra eu tabem?
Júlia: Maria! - exclamei em um tom de repreensão. - É feio perguntar isso.
Júnior: Deixa, Júlia! Sou o pai dela e ela pode me pedir o que quiser.
Júlia: Mas não foi assim que eu criei minha filha e não vai ser agora que vou mudar isso...
Júnior: Ah, a criação da nossa filha que eu não pude fazer parte né?! - disse enfatizando o "Nossa".
Júlia: Esse não é o momento para conversar sobre isso, Júnior. - suspirei olhando para a Malu que observava tudo isso.
Júnior: Você têm razão, outra hora a gente ver isso. Então, Maluzinha, logo logo vou levar você e o Davi pra comer vários desses lanches que vem com brinquedos.
Malu: Oba! - exclamou empolgada e ele riu. Não vai ser tão fácil quanto eu pensava de nós dois entrar em um consenso sobre tudo que desrespeita a nossa filha. Mas de uma coisa eu tenho certeza, não vou mudar a criação dela por algo que eu não acho certo e não quero que ela siga.
Vi que chamaram a senha do meu pedido e eu deixei os dois conversando pra ir buscar e pagar.
Júlia: Aqui, Malu! - falei colocando o lanche na frente dela na mesa.
Malu: Quelo pegar o binquedo, mamãe.
Júlia: Espera, deixa eu abrir... - abri a caixinha e entreguei o saquinho com o brinquedo dentro pra ela.
Malu: Xúninho, olha! - disse mostrando pra ele e enquanto isso eu coloquei o canudo no suco dela.
Júnior: Que maneiro! Quem é essa aí, a filha da barbie?
Malu: A babie não é mamãe, Xúninho! - falou com um tom meio indignado e eu ri. - Essa é a nindinha das meninas super podelosas.
Júnior: Desculpa tá? Não sábia! - riu.
Malu: Eu diculpo voxê...
Júlia: Apoia o celular na mesa e come o lanche, Maria. - pedi enquanto tomava meu Milk-Shake, ela fez exatamente o que falei e eu voltei para a minha revista.
Quando enfim terminamos de lanchar, o Júnior e ela se despediram e nós duas fomos para casa já que estava perto da hora de ir para o hospital.
Dennis: Onde minhas duas meninas estavam? - perguntou quando nos viu entrando na sala onde ele estava sozinho.
Malu: No shoppi, vovô. - respondeu indo até ele e eu coloquei as sacolas de compras, que por incrível que pareça não foram muitas, no sofá.
Dennis: Comprou presente para o vovô?
Malu: Não, só pra eu... - eu ri.
Dennis: E tu fala isso com a cara mais lavada né monstrinha?! - disse enchendo ela de cócegas, o que a fez ri.
Júlia: A mãe e a Jéssica já chegaram?
Dennis: Sua mãe não e a Jéssica sim. Tá lá em cima...
Júlia: Vou subir também. - peguei as bolsas. - Vai ficar aqui, princesa?
Malu: Xim!
Dennis: Depois desce porque quero falar contigo.
Júlia: O que foi? - perguntei o olhando. - É sobre as audiências?
Dennis: Sim, mas depois conversamos melhor. - assenti um pouco preocupada e fui para as escadas deixando ele brincando com a Malu.
Jéssica: Posso saber onde a senhorita estava? - perguntou quando me encontrou no corredor.
Júlia: Por acaso tu é meu pai ou minha mãe?
Jéssica: Não!
Júlia: Por acaso tu é meu namorado ou marido?
Jéssica: Também não, graças a Deus. - riu.
Júlia: Idiota! - ri e continuei andando.
Jéssica: Ou, tu não respondeu minha pergunta... - disse me seguindo.
Júlia: Se você não é nenhuma dessas coisas que falei, então não te interessa.
Jéssica: Nossa! Ia te contar quem apareceu lá no hospital hoje com um buquê de flores pra mim... - entramos no meu quarto.
Júlia: Quem foi o bendito? - coloquei as coisas na cama e olhei pra ela curiosa.
Jéssica: Não te interessa também ué! - soltou beijo pra mim e riu.
Júlia: Era brincadeira, amiguinha. Eu estava no shopping com a Malu... Agora me conta, quem foi?
Jéssica: Ah, ninguém! Só queria que tu prova-se do mesmo veneno. - gargalhou.
Júlia: Que vaca você é garota. - joguei um dos tênis, que eu estava tirando, nela e a mesma pegou ainda rindo.
Jéssica: Nós somos! Nem em sonhos eu ganho flores, imagine na vida real... - rimos. - Mas me diz, como foi lá com o Pedro?
Júlia: Foi legal...
Jéssica: Só legal?! Não me diz que aquela gostosura toda é só de enfeite, por favor.
Júlia: Claro que não! - ri.
Jéssica: Ufa, ainda bem! Se não é, como tu têm a coragem de dizer que foi só legal? Foi você que deu pra trás?
Júlia: Por incrível que pareça, dessa vez não. - fui para o closet com as compras e ela me seguiu.
Jéssica: Então foi mais do que legal e você tá sendo modéstia né?!
Júlia: Sim... - revirei os olhos. - Foi sensacional! Tá bom agora?! - coloquei as sacolas em um canto e comecei a escolher meu look para o hospital.
Jéssica: Agora sim, uma resposta digna pra aquele tanquinho americano. - rimos. - Ele te trouxe hoje cedo? - assenti.
Júlia: Deu tempo de almoçar e depois ir resolver algumas coisas pra dona Marcela na rua. Quando terminei resolvi ficar no shopping com a Malu pra passar o tempo.
Jéssica: Comprou o quê? Algo pra mim? - perguntou indo abrir as bolsas.
Júlia: Algumas roupas, mas a maioria é pra Malu. - montei meu look com uma calça jeans, um suéter e uma bota de cano curto confortável pra passar grande parte da noite em pé. - Você vai me levar no hospital depois.
Jéssica: Eu me ofereci? Porque não estou lembrada!
Júlia: Não precisa oferecer. Amizade é pra essas coisas...
Jéssica: Pra servi de motorista? Ok! - rimos. - Mas tu vai voltar como amanhã? Meus serviços não vão estar disponível.
Júlia: Por causa disso mesmo o Pedro vai me buscar antes de ir para o trabalho.
Jéssica: Ele vai é?! - disse com um tom desconfiado. - Já decidiram como vai ficar esse lance de vocês?
Júlia: Sim! Continuamos amigos, mas com alguns adicionais.
Jéssica: A famosa amizade colorida. - rimos. - Mas tu sabe que é raro dar certo né?!
Júlia: Sei, mas a nossa vai dar. - peguei meus produtos de banho. - Vou me aprontar para esse plantão tedioso que está vindo pela frente.
Jéssica: Tá! Vou descer pra comer alguma coisa antes da gente ir.
Júlia: Aproveita e leva essas sacolas com coisas da Malu para o quarto dela, por favor. - ela assentiu e eu fui para o banheiro.
Quase uma hora depois terminei de me arrumar, peguei minhas coisas e desci postando uma foto que eu tinha tirado alguns minutos antes.
Sanchezjú: Fingindo plenitude, mas na verdade tô acabada só de pensar no Plantão de hoje à noite.
loveforjulia: Pq tão linda ♡
fcjusanchez: Bom Plantão meu amor!
leopicon: Vai trabalhar pra colocar as coisas dentro de casa agora, mulherrr
muniz.gab: Gata!
gabrielarippi: Nem parece que caga ♡
pedro_müller: So beautiful!
malumylove: A melhor haha @GabrielaRippi
sanchezju: Tô indo meu marido vagabundo @leopicon
liaduarte: Queria ser plena assim também
sanchezju: So beautiful too ♡ @Pedro_Müller
rachelapollonio: Hahahahahahaha @SanchezJú @LeoPicon
juliaforever: Ta rolando algo entre a Júlia e esse Pedro gente?
Saí do insta antes de virar uma bagunça com esse último comentário e porque cheguei na sala, onde meu pai e a minha mãe estavam.
Marcela: Oi, já tá indo para o hospital?
Júlia: Sim! Chegou agora? - cheguei perto dela e beijei sua bochecha.
Marcela: Têm alguns minutos... A Jéssica vai te levar lá? - assenti.
Júlia: Cadê ela e a Malu?
Dennis: Foram comer não sei o que na cozinha. Ainda tem alguns segundos antes de sair?
Júlia: Tenho, mas mesmo se não tivesse eu chegaria atrasada porque tô louca de curiosidade pra saber o que tu quer falar.
Dennis: Não é pra tanto, Júlia! É só pra te deixar saber que o pessoal do laboratório vai vir aqui amanhã colher o material do exame na Malu.
Júlia: Ué, pensei que eu teria que levar ela até lá. - falei surpresa.
Marcela: Eu também, mas seu pai disse que acharam melhor vir até aqui por a Malu ser muito nova.
Júlia: É, faz sentido! - suspirei. - Informaram o horário certo?
Dennis: Por volta das duas horas da tarde. Vai dar pra você atender? Não vou poder estar presente porque tenho uma reunião nesse horário.
Júlia: Dá sim! Só vão coletar mesmo né?!
Dennis: Sim, vai ser rapidinho. Normalmente esses testes são feitos pela coleta da saliva. - assenti. Ainda bem! Nunca gostei de ver a minha filha sendo picada. - O Juiz Paulo também enviou outra intimação.
Júlia: E aí? - perguntei apreensiva.
Dennis: Deu prazo de urgência para o exame ficar pronto e daqui uma semana é a segunda audiência.
Marcela: É a parti dessa que as coisas vão começar de verdade né?!
Dennis: Exatamente! Logo após o resultado for revelado, o Juiz irá entrar definitivamente na questão da guarda da Malu.
Júlia: Tudo bem! - engoli em seco. - Não vou dizer que estou preparada, mas vamos em frente. Não tem outro jeito né?!
Marcela: Infelizmente!
Dennis: Outro jeito só se uma das duas partes desistirem. - respondeu e eu ri amargamente.
Júlia: Não consigo imaginar o Júnior e aquele cretino desistindo... E eu nem preciso responder que não desisto por nada nesse mundo né?! Aliás, se eu desistisse estaria desistindo exatamente do meu mundo.
Marcela: A gente sabe, minha filha. - sorriu fraco. - Estamos juntos e desistência não passa na cabeça de nenhum de nós.
Dennis: Vamos seguir e seja o que Deus quiser.
Júlia: Amém! - suspirei. - Vou lá chamar a Jéssica e me despedir da Malu.
Marcela: Também vou lá! - levantou do sofá e nós duas fomos para a cozinha.
Malu: Mamãe, tô comendo noninho. - ela e a Jéssica estavam na mesa e a Rosinha no fogão, como sempre.
Júlia: É, meu amor?! Quem te deu?
Malu: A titia Jés!
Jéssica: Sou a melhor titia do mundo, né princesa?
Malu: Xim! - exclamou empolgada e com a boca cheia.
Marcela: Deixa sua tia Sarah ouvir isso. - disse abrindo a geladeira.
Rosa: Ia dar início a mais uma discussão. - riram.
Júlia: Não aguento mais assisti essa novela de quem é a melhor tia do planeta. - revirei os olhos.
Jéssica: Tu fala isso porque não existe concorrência no seu cargo, querida.
Júlia: É o esperado né?! - rimos. - Vocês duas esquecem que a criança pode ter várias tias melhores do mundo.
Jéssica: Eu sei, mas uma posição única é bem melhor.
Marcela: Vai ficar mais difícil então porque agora chegou várias na concorrência também. - riu.
Júlia: Verdade! Tias nem são tantas, agora tios... Não dá nem pra contar nos dedos. - bufei.
Jéssica: Droga! Vou ter que me esforçar mais... - rimos.
Júlia: Pensa nisso em outra hora porque agora não dá. Agora vamos ou vou chegar atrasada nesse bendito plantão.
Jéssica: Bora! - disse levantando da cadeira e pegando um biscoito.
Júlia: Princesa, a mamãe tá indo para o trabalho tá bom? - agachei ao lado da Malu.
Malu: Tá!
Júlia: Amanhã quando você acordar já vou estar aqui e de tarde se der a gente vai no parquinho.
Malu: Oba! - deu um sorrisão e eu beijei sua testa.
Júlia: Tchau!
Malu: Tchau, mamãe!
Marcela: Vai vir de táxi amanhã ou precisa que alguém te busque? - perguntou quando fui abraçar ela.
Júlia: Não preciso, um amigo vai me trazer.
Marcela: O Daniel?
Júlia: Não! - me despedi da Rosinha.
Marcela: Por acaso esse amigo é o mesmo de ontem?
Júlia: É sim! - olhei pra ela e a mesma ficou me encarando com uma expressão de que estava querendo saber mais. - Outra hora falamos melhor sobre isso, dona Marcela. Agora estou atrasada, beijo! - sorri e saí junto com a Jéssica.
Quinta, Novembro de 2014
Helena: Doutora Júlia, acabou de chegar um paciente na emergência e o doutor Sérgio está te solicitando lá. - disse aparecendo na porta da minha sala, onde eu estava a 15 minutos descansando depois da última consulta.
Júlia: O caso é grave? - perguntei pegando o meu jaleco.
Helena: Pelo o que ele disse, é sim!
Júlia: Ok! Obrigada, Helena. - saímos juntas da minha sala, peguei o elevador e minutos depois cheguei na área da emergência.
Sérgio: Júlia, preciso que você estabilize o pescoço o mais rápido possível. O paciente está com insuficiência respiratória tipo 2. - informou assim que me viu chegar e eu imediatamente corri para fazer o que foi pedido.
Júlia: O que aconteceu? - perguntei virando com cuidado o pescoço da vítima e tentando achar uma posição que não interfira na corrente respiratória.
Sérgio: Acidente de carro... Susan, preciso de mais gases. - a enfermeira entregou e ele voltou a pressionar o abdômen do paciente. - Entorse no pescoço e lesão exposta no abdômen nível 6.
Júlia: A estabilização não é suficiente, o paciente apresenta sinais de parada cardiorrespiratória. - falei observando que a respiração do paciente não voltava ao normal quando coloquei um colar cervical. - Preciso de um ambu rapidamente, enfermeira Susan.
Susan: Um segundo, Doutora Júlia. - disse montando o aparelho com o tubo.
Sérgio: O que você recomenda fazer Júlia?
Júlia: Eu recomendaria começar agora uma pré-ventilação com o ambu e depois realizar uma intubação endotraquial. - a enfermeira me entregou o ambu, coloquei a máscara de oxigênio no rosto do paciente e comecei a pressionar a bomba de ventilação manual. - Essa opção evitaria fazer algo tão evasivo quanto uma traqueostomia.
Sérgio: Boa, então se prepara. Você vai entrar comigo na sala de cirurgia.
Júlia: Tá!
Sérgio: Susan, informa a ala cirúrgica que preciso de uma sala nesse exato momento e de mais dois enfermeiros auxiliares.
Júlia: No caminho interfone para a minha sala e pede para a Helena me encontrar na sala preparatória, por favor. - ela assentiu e saiu.
Sérgio: Preparada para se locomover?
Júlia: Sim! - ele começou a empurrar a maca na direção do elevador enquanto eu continuava fazendo a ventilação manual.
Xxx: A sala 3 está liberada e esterilizada, doutor Sérgio e doutora Júlia. - outra enfermeira informou quando saímos do elevador no 6° andar que é o cirúrgico.
Sérgio: E os enfermeiros que eu solicitei?
Xxx: Já estão esperando na sala preparatória. - o Sérgio assentiu e continuamos nosso caminho. Quando enfim chegamos na área preparatória um dos enfermeiros assumiu minha posição, o outro a do Sérgio e levaram o paciente para dentro da sala cirúrgica.
Júlia: Quanto tempo será que vai durar todos os procedimentos? - perguntei quando nós dois começamos a se lavar.
Sérgio: Não consigo calcular, o ferimento do abdômen é bastante complexo. Por conta disso ainda não sei exatamente a causa de tanto sangue.
Júlia: Vai realizar uma laparotomia?
Sérgio: Pretendo evitar ao máximo. Primeiro tentarei a laparoscopia. - assenti e a Helena apareceu na porta.
Helena: Doutora Júlia, mandou me chamar?
Sérgio: Bom, vou deixar vocês. Preciso começar os trabalhos o quanto antes.
Helena: Boa cirurgia, doutor Sérgio.
Sérgio: Obrigado, Helena. - sorriu fraco e me olhou. - Te vejo lá dentro!
Júlia: Ok... - ele saiu e eu virei pra Helena. - Preciso que você pegue meu celular que está na gaveta da minha mesa e mande uma mensagem para o único contato que está escrito Pedro.
Helena: O que você quer que eu fale?
Júlia: Diz que surgiu um caso de última hora e por conta disso sairei mais tarde do que o previsto. Pede pra ele não se preocupar em vir me buscar porque vou pegar um táxi pra casa. - acho melhor deixar ele avisado desde agora porque o meu horário de saída era daqui meia hora e a cirurgia tem grandes chances de durar mais que isso.
Helena: Só isso?
Júlia: Só!
Helena: Pode deixar, então. Boa cirurgia!
Júlia: Obrigada! - ela saiu e eu deixei escorrer o excesso de água das mãos para entrar na sala cirúrgica.
(...)
Sérgio: Mandou muito bem, doutora Júlia.
Júlia: Você também, doutor Sérgio. Mais uma parceria realizada com sucesso. - rimos. Terminamos a cirurgia a alguns minutos atrás e graças a Deus correu tudo muito bem. O paciente já está na ala de recuperação com um quadro totalmente estável.
Sérgio: Te vejo na próxima, então? - perguntou quando o elevador chegou no andar da minha sala.
Júlia: Com toda certeza! - sorri, nos abraçamos rapidinho e logo depois saí.
Helena: Doutora Júlia, como foi a cirurgia?
Júlia: Ótima, Helena! - sorri.
Helena: Que bom! Fiz o que você pediu.
Júlia: Ele respondeu alguma coisa?
Helena: Sim, agradeceu e disse que depois ligaria pra você.
Júlia: Tá bom!
Helena: Precisa de alguma coisa? Era pra eu já ter ido embora, mas decidi te esperar porque talvez você precise de algo.
Júlia: Não, agora eu só vou ajeitar as coisas e ir pra casa. Você pode ir, obrigada por esperar.
Helena: Não foi nada. - sorriu pegando a bolsa. - Então já vou indo, até amanhã.
Júlia: Até, Helena. Tchau!
Helena: Tchau, doutora Júlia. - ela saiu e eu entrei na minha sala. Fui direto pegar meu celular pra ver a hora e o mesmo marcava 08:35. Vi que tinhas algumas mensagens não lidas, mas olhei apenas uma da minha mãe que dizia que ela já tinha ido para a loja e deixou a Malu dormindo. Antes de ir embora fiz algumas anotações da cirurgia e de alguns pacientes que atendi durante todo o Plantão, ajeitei minha sala, peguei minhas coisas, saí da sala e tranquei a porta, fui para o elevador e desci direto para o térreo. No corredor a caminho da porta de saída encontrei com a Jéssica.
Jéssica: Ué, ainda está aqui?! Pensei que já estava em casa a uma hora dessa.
Júlia: Entrei em uma cirurgia com o doutor Sérgio de última hora e só terminamos agora à pouco.
Jéssica: Ata! E aí, como foi?
Júlia: Tudo bem, graças a Deus. O paciente está estável...
Jéssica: Ainda bem! Então tá indo pra casa agora? - assenti. - O Pedro ainda vem te buscar?
Júlia: Não, nesse horário ele já está na agência. Vou pegar um táxi! Você tá chegando agora? - perguntei percebendo que ela estava com a bolsa e sem o jaleco.
Jéssica: Sim, o trânsito está caótico. - revirou os olhos.
Júlia: Droga, só queria chegar na minha cama o mais rápido possível.
Jéssica: Se der sorte não vai pegar muito trânsito na ida. Pelo o que vi o problema maior é da vinda.
Júlia: Tomara! Deixa eu ir lá, tô morta de cansaço. - suspirei.
Jéssica: Também tenho que ir, já estou mais que atrasada. - rimos e nos abraçamos.
Júlia: Te vejo mais tarde!
Jéssica: Tá, vou passar lá no ape pra ver como estão as coisas antes, mas não pretendo demorar.
Júlia: Tá bom! Beijo...
Jéssica: Beijos! - continuou entrando no hospital e eu saí pra rua, onde peguei um dos vários táxis que ficam parados na entrada do hospital.
Levou cerca de meia hora para o táxi me deixar em casa graças ao trânsito que estava realmente lento como a Jéssica tinha avisado.
Júlia: Rosinha? - chamei indo para a cozinha depois que não encontrei ninguém na sala.
Rosa: Oi, minha filha! - disse sorrindo quando me viu. - Como foi o Plantão?
Júlia: Cansativo como sempre né... - suspirei, beijei o seu rosto e fui até a geladeira pegar água. - Malu ainda está dormindo?
Rosa: Está! Tem alguns minutos que fui olhar lá no quarto e ela estava na mesma posição de quando sua mãe saiu.
Júlia: Essa menina tá dormindo demais... - falei lavando o copo que eu tinha usado.
Rosa: Puxou a quem né, Júlinha?! - me olhou rindo.
Júlia: Eu nem durmo muito, Rosa. Só no final de semana e quando tô de folga...
Rosa: Mas se pudesse dormiria nos dias de semana também.
Júlia: Meu sonho! - rimos. - Falando nisso, vou aproveitar que a Maria não acordou ainda pra dormir também.
Rosa: Tô falando... - disse sorrindo.
Júlia: Mas eu mereço né?! Passei a noite inteira acordada e na noite passada ainda não dormi muito.
Rosa: Verdade! Dessa vez merece muito. - riu.
Júlia: Tô até com medo de dormir agora e só acordar amanhã à noite. - ri. - Mas tenho que acordar antes das duas porque o pessoal do laboratório vão vir aqui. Então, se eu não descer até esse horário me chama, por favor?
Rosa: Claro, chamo sim! Não vai comer nada antes?
Júlia: Não, Rosinha! Tomei um pouco de café e comi um bolinho no hospital mais cedo.
Rosa: Então tá! Vai descansar e se a Malu acordar fico de olho nela.
Júlia: Obrigada, sua maravilhosa. - beijei sua bochecha de novo e saí da cozinha ouvindo ela rindo. Subi as escadas, passei no quarto da Malu e dei uma olhada nela antes de ir para o meu. Só tive disposição pra tirar minha roupa e me joguei na cama só de roupas íntimas.
(...)
Acordei algum tempo depois com o som do meu celular tocando. O peguei e vi que era o meu pai. Atendi!
Júlia: Oi, papis!
Dennis: Oi! Tava dormindo?
Júlia: Estava! - sentei na cama esfregando os olhos.
Dennis: Logo vi, está com a voz rouca. - rimos. - Escuta, o pessoal do laboratório chega aí em meia hora.
Júlia: Já? São que horas? - não esperei ele responder e olhei no visor do celular que marcava 1 hora da tarde. - Nem são duas horas ainda.
Dennis: Eu sei, mas eles adiantaram o horário por algum motivo que não disseram. Quer que eu vá até aí? Depois posso ir direto para a reunião que eu tenho.
Júlia: Não precisa, pai. Pra que te dar mais trabalho se é uma coisa que eu posso resolver sozinha. Vou descer daqui alguns minutos e esperar por eles. A Malu nessas horas já deve estar acordada.
Dennis: Então tá bom! Mais tarde eu ligo pra saber se correu tudo certo.
Júlia: Ok, Beijos!
Dennis: Tchau, beijo! - desligamos.
Deixei o celular na cama e levantei antes que o restante do meu sono me fizesse voltar a dormir. Fui direto para o banheiro, terminei de tirar as peças íntimas que eu tinha dormido, entrei no box e tomei um banho morno que me despertou por completo. Quando terminei, me sequei, fui para o closet enrolada na toalha, procurei por um moletom quentinho e me vesti. Fiz um rabo de cavalo no cabelo, passei perfume, voltei para o banheiro para pendurar a toalha e fui para o quarto. Arrumei minha cama, peguei meu celular, saí para o corredor e desci logo depois de olhar no quarto da Malu e não acha-la.
Júlia: Mas o que a senhorita tá fazendo? - perguntei depois de entrar na cozinha e encontrar a Malu sozinha sentada na mesa "dando" comida para a boneca.
Malu: Acodou, mamãe! - disse me olhando sorrindo.
Júlia: Acordei, mas me responde. Tá fazendo o que aqui sozinha com essa boneca? - perguntei antes de beijar sua testa.
Malu: Eu tô dando papa pra Nina, mamãe. Ela tava com fome.
Júlia: Ah tava?! - ela assentiu com a cara mais lavada do mundo e eu não consegui ficar sem ri. - E cadê a Rosa?
Rosa: Tô aqui na dispensa, Júlia. - falou alto lá de dentro e logo depois apareceu na porta. - Desculpa! Coloquei a comida dela e enquanto não esfriava resolvi vir aqui na dispensa olhar o que falta porque pretendo ir no mercado depois.
Júlia: Tudo bem, Rosinha. Só estranhei ao entrar e ver essa cena... - apontei para a Malu que continuava "alimentando" a bendita boneca e nós duas rimos.
Rosa: Ela quis trazer a boneca pra comer com ela e eu acabei deixando. - respondeu ironizando o "comer". - Até separei um pouco pra boneca.
Júlia: Não entre na invenção dessa menina hein, Rosinha. - rimos. - Essa merece até uma foto. - falei pegando o celular e tirando várias enquanto a Rosa dava risada.
Rosa: Ia subir pra te acordar daqui a pouco.
Júlia: Acordei no susto com o senhor Dennis me ligando. - guardei o celular. - Parece que o pessoal do laboratório vão vir mais cedo.
Rosa: Por que?
Júlia: Nem ele sabe, não falaram.
Rosa: Deve ter surgido algum horário vago ou alguma outra coisa.
Júlia: É! - sentei em uma cadeira ao lado da Malu. - Pode deixar que eu do a comida pra essa garotinha, Rosa.
Malu: E pra Nina também, mamãe.
Júlia: Sim, pra Nina também. - revirei os olhos rindo e a Rosa acompanhou.
Rosa: Então tá, vou voltar para o que eu estava fazendo. - assenti e ela voltou a entrar na dispensa.
Júlia: E aí, meninas! O que vocês fizeram nessa manhã? - perguntei para a Maria e a Nina, é óbvio, enquanto soprava um pouco da comida.
Malu: A Losa colocou a Peppa pra eu ver e a Nina domiu muito igual voxê, mamãe. Só acodou agola pra papa puque tava com fome.
Júlia: É?! Somos muito dorminhocas né? - ri.
Malu: Xim! - disse antes de mastigar a comida que eu tinha dado.
Júlia: E o que você fez ontem à noite enquanto a mamãe estava trabalhando?
Malu: Eu, a titia Jés, a vovó e o vovô vimos filme e comemos bigadeilo que a titia Jés fez.
Júlia: Que gostoso! Deixaram brigadeiro pra mim?
Malu: Não! - riu.
Júlia: Nossa! A mamãe tá triste, então. - fiz beicinho.
Malu: Não fica tiste, mamãe. Eu vou falar com a titia pra fazer pra voxê tabem, tá? - disse colocando a mãozinha na minha bochecha.
Júlia: Tá bom! - sorri e continuamos conversando enquanto ela comia.
Rosa: Júlia, se importa se eu for no mercado agora? - perguntou saindo da dispensa algum tempo depois.
Júlia: Claro que não, Rosinha. - falei dando a última colherada de comida pra Maria e levantando da cadeira.
Rosa: Prefiro ir agora antes que o tempo esfrie mais. Vou lavar essa louça primeiro! - disse indo para a pia, mas eu cheguei primeiro.
Júlia: Vai lá logo, mulher. Deixa que eu lavo isso... - coloquei o prato que a Malu usou dentro.
Rosa: Então tá! Acho que não vou demorar muito.
Júlia: Alguém já deixou o dinheiro com você?
Rosa: Seu pai deixou o cartão. - assenti.
Malu: Eu quelo ir com a Losa, mamãe.
Júlia: Não! Daqui a pouco vai chegar algumas pessoas pra falar com a gente.
Malu: Quem?
Júlia: Depois te explico! - ela assentiu.
Rosa: Bom, tô indo! Tchau pra vocês duas.
Júlia&Malu: Tchau! - ela saiu.
Júlia: Vamos escovar os dentinhos?
Malu: Xim! - fomos para o banheiro daqui de baixo mesmo, a ajudei na escovação e depois fomos para a sala.
Júlia: Fica aqui vendo desenhos que eu vou lá na cozinha lavar a louça rapidinho, ouviu? - falei ligando a TV no canal de desenhos.
Malu: Tá! - subiu no sofá. Voltei para a cozinha e comecei a lavar as coisas que nem eram muitas. Dez minutos depois, quando e
estava terminando, ouvi a campainha tocando e logo depois a Malu gritando. - Mamãe, a pota!
Júlia: Tô indo! - sequei as mãos e fui direto para a entrada.
Xxx: Hola! Tu eres la señorita Júlia Sanchez, madre de Maria Luíza Medeiros Sanchez? - uma mulher perguntou logo assim que abri a porta. Ela estava acompanhada por outra e as duas estavam de jaleco e com maletas na mão. (Imaginem o restante das falas em Espanhol também.)
Júlia: Sim, sou eu! - sorri. - Vocês são do laboratório né?!
Xxx: Sim! Meu nome é Camila e o dela é Vivian. Somos as responsáveis pela coleta do material para realizar o teste de DNA pedido pelo Juiz Paulo do Tribunal de Barcelona. - me estendeu a mão e eu apertei.
Vivian: Prazer! - disse quando nos cumprimentamos também.
Júlia: Podem entrar, já estávamos a espera de vocês. - saí da frente, elas entraram, fechei a porta e logo depois fui para a sala com elas me seguindo. - Filha, essas são a Vivian e a Camila que vieram nos ver como eu tinha falado antes.
Malu: Oi! - disse sorrindo envergonhada olhando para elas.
Vivian: Oi, Maria Luíza! - sorriu.
Camila: Tudo bem com você?
Malu: Xim! - respondeu ficando em pé no sofá e abraçando meu pescoço.
Camila: Que bom! Você é muito linda sábia?! - a Malu assentiu e nós três rimos.
Júlia: Muito modéstia também.
Vivian: Nada melhor do que uma pessoa que têm consciência do seu status e não fica buscando elogios. - rimos.
Júlia: Então... Como vai funcionar essa coleta?
Camila: Vamos coletar um pouco da saliva dela e por precaução um pouco de amostra sanguínea também. - depois de ouvir a última parte já me bateu a preocupação e ela percebeu. - Não se preocupe, vai ser um pequeno furinho no dedo.
Malu: Eu não quelo, mamãe. - disse com a cabeça baixa na curva do meu pescoço.
Júlia: Não vai doer, princesa! Né meninas?! - ela olhou para a Vivian e a Camila e eu olhei junto porque também queria uma confirmação disso.
Vivian: Prometo que não vai doer e vai ser rapidinho. - riu.
Júlia: Viu?! - ela assentiu. - Senta no sofá e deixa elas tirarem. - fiquei sentada ao lado dela enquanto as meninas coletavam a saliva e logo depois que terminaram pegaram as coisas para tirar o sangue.
Camila: Estende a mãozinha pra mim. - a Malu fez meio relutante e totalmente concentrada no que ela estava fazendo.
Vivian: Você gosta de assistir a Peppa, Maria Luíza? - perguntou olhando para TV e enquanto isso a Camila segurou o dedão da Malu.
Malu: Xim!
Vivian: Qual é o nome dessa que está mostrando agora?
Malu: É a mamãe da Peppa. - a Camila aproveitou que ela estava olhando para o desenho e furou o dedo dela que nem pareceu sentir.
Vivian: Ah sim!
Camila: Pronto! - disse terminando de carimbar o dedo da Malu em um cartão.
Malu: Acabou? - perguntou voltando a olhar para o dedo.
Júlia: Sim! - sorri. - Doeu?
Malu: Não! - riu e eu junto com as meninas acompanhamos.
Camila: Você foi tão boazinha que merece uma recompensa. - mexeu no bolso do jaleco e tirou de lá uma cartela de band aid pequenos com a figurada da porquinha do desenho que a Malu estava assistindo.
Malu: Mamãe, é a Peppa! - disse empolgada enquanto a Camila colava sobre o furo.
Júlia: Tô vendo, amor! - sorri.
Camila: Bom, já temos tudo que precisamos. - disse fechando a maleta.
Vivian: O Juiz Paulo já deve ter comunicado a data que o resultado ficará pronto?!
Júlia: Já sim!
Vivian: Então tá tudo certo.
Júlia: Vou levar vocês até a porta. - falei levantando e elas assentiram.
Camila: Tchau, Maria Luíza.
Vivian: Tchau, princesa! Foi um prazer te conhecer.
Malu: Tchau! - dessa vez deu um sorriso verdadeiro e eu fui com elas até a entrada. Nos despedimos, elas se foram, fechei a porta e voltei para a sala.
Continua...
By Vic:
Usei meus poucos conhecimentos de Grey's Anatomy nessa parte do hospital, não sei se é assim mesmo na vida real e por isso não repitam isso em caso de emergência haha.
Espero que gostem desse capítulo, beijos! ♡

Ta muito bom! Continua!!!
ResponderExcluirMano ta bom demais já pode posta o próximo pfv.
ResponderExcluirContinua pfvr!!
ResponderExcluirJunior deveria desistir de tomar ela, mas quando descobrisse q a Júlia tá envolvendo com outro ele deveria ficar com mt ódio
ResponderExcluirCONTINUA MULHER !!!
ResponderExcluirJá quero ela com Júnior de casal msm kkkkk
ResponderExcluirQuero só ver a reação do Júnior quando ver ela com outro
ResponderExcluirContinua!!
ResponderExcluirEu entro todo dia Pra ver se vc postou, continha
ResponderExcluirQuero um beijo dela com o junior ja... Continua
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